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Fome global diminui em 2025, mas desigualdade regional permanece alta, aponta relatório da ONU


Da redação

A fome global apresentou redução pelo terceiro ano consecutivo em 2025, segundo o relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026”, divulgado por cinco agências das Nações Unidas nesta terça-feira (21). O documento aponta que a proporção da população mundial em situação de fome chegou a 7,8% em 2025, cerca de 645 milhões de pessoas, número inferior aos 8,1% registrados em 2024. As melhoras, no entanto, permanecem frágeis e desigualmente distribuídas entre os países, comprometendo metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030.

O levantamento revela que, entre os países de língua portuguesa, São Tomé e Príncipe teve a maior prevalência de desnutrição em 2025, com 23%, seguido por Moçambique, com 22,3%, e Guiné-Bissau, com 20%. Angola registrou 17,45%, Timor-Leste 16,9% e Cabo Verde 8,1%. No Brasil e em Portugal, as taxas ficaram abaixo de 2,5%. O relatório destacou ainda que a recuperação é desigual entre as regiões do globo, com a África concentrando o maior número absoluto de pessoas em situação de fome.

Segundo o relatório, 25,8% da população mundial enfrentou insegurança alimentar moderada ou grave em 2025, o equivalente a cerca de 2,1 bilhões de pessoas. Apesar da melhora em relação a anos anteriores, esse índice permanece acima do verificado antes da pandemia. Disparidades persistem: 56,6% da população da África enfrenta insegurança alimentar moderada ou grave, enquanto os índices na Ásia, América Latina e Caribe, e América do Norte e Europa são de 20,3%, 22,9% e 8,7%, respectivamente.

O custo global de uma dieta saudável subiu para US$ 4,28 por pessoa por dia em 2025, acima dos US$ 3,44 em 2021. Apesar disso, o número de pessoas incapazes de pagar por esse padrão alimentar caiu de 2,97 bilhões, ou 37,4% da população em 2021, para 2,69 bilhões, ou 32,7% em 2025. Em África, a acessibilidade piorou, com 66,6% da população incapaz de acessar uma dieta saudável.