Da redação
Ministros da Habitação de diversos países participam, desde esta semana em Baku, Azerbaijão, do Fórum Urbano Mundial, com o objetivo de tornar as cidades mais seguras e resilientes e ampliar o acesso à moradia. O evento foca na revisão da Nova Agenda Urbana, documento global adotado há dez anos, em Quito, durante a Habitat III.
Na abertura da reunião, Anaclaudia Rossbach, diretora executiva do ONU-Habitat, destacou a necessidade de 2026 ser um ano de “correção de rumo” para o desenvolvimento urbano. Segundo ela, é preciso avaliar quais políticas deram resultado e repensar estratégias diante das falhas detectadas ao longo da última década.
Nesses dez anos, aproximadamente 160 países já implementaram ou estão desenvolvendo políticas urbanas nacionais. Mais de dois terços adotaram programas para ampliar a acessibilidade habitacional. Segundo Rossbach, no entanto, essas iniciativas permanecem insuficientes diante dos desafios atuais.
Mais de 1,1 bilhão de pessoas vivem hoje em favelas ou assentamentos informais, conforme dados das Nações Unidas. Ainda segundo a organização, mais de 120 milhões de pessoas, na última década, passaram a viver nessas condições. A reunião discute desde programas de moradia social até a recuperação em cidades afetadas por guerras, como Homs, na Síria.
Bashar Al Sebaai, prefeito de Homs, relatou que cerca de 400 mil pessoas retornaram à cidade após o fim do conflito, enfrentando falta de infraestrutura e necessidade urgente de financiamento para restabelecimento dos serviços básicos. Os debates também abordam a habitação como vetor de crescimento econômico e a relação com mudanças climáticas.
Dados do fórum destacam que mais de 80% das cidades do mundo registram aquecimento significativo nas últimas duas décadas. Autoridades defendem construções de baixo carbono e urbanismo resiliente. O encontro em Baku visa preparar propostas para a sessão de julho da Assembleia Geral da ONU, quando será revisado o progresso da Nova Agenda Urbana.






