Da redação
A cidade de Baku, capital do Azerbaijão, sedia, de 17 a 22 de maio de 2026, o 13º Fórum Urbano Mundial da ONU. O evento reúne mais de 27 mil participantes para debater soluções diante da crise habitacional global, intensificada por aumento do custo da moradia, choques climáticos e conflitos recentes.
O fórum, promovido pela ONU-Habitat em parceria com o governo do Azerbaijão, reúne políticos, especialistas, empresários e organizações internacionais. Com o tema “Habitação para o Mundo: Cidades e Comunidades Seguras e Resilientes”, a conferência responde a um cenário em que 2,8 bilhões de pessoas vivem em moradias inadequadas e mais de 300 milhões não possuem abrigo.
A diretora-executiva da ONU-Habitat, Anacláudia Rossbach, classificou o cenário como uma “crise habitacional global”, afirmando que, embora historicamente mais grave no Sul Global, agora o problema também atinge países do Norte Global. Ela cita o aumento do custo de vida e crises internacionais, como a guerra no Oriente Médio, como fatores agravantes.
O crescimento dos assentamentos informais é um dos temas centrais. Estima-se que 1,1 bilhão de pessoas habitem favelas, número que pode aumentar em até 2 bilhões nas próximas décadas. A ONU-Habitat propõe enxergar esses assentamentos não apenas como problema, mas, em muitos casos, como alternativa de moradia viável para milhões.
Outro eixo de discussão envolve a situação de pessoas deslocadas por conflitos e desastres: até o final de 2022, 123 milhões haviam sido forçadas a deixar suas casas, das quais mais de 60% buscaram abrigo em áreas urbanas. O debate em Baku destaca a importância de reconstruir bairros, criar empregos e restaurar comunidades.
A crise climática também ocupa papel central no fórum. Em 2023, eventos extremos deslocaram mais de 20 milhões de pessoas, e prevê-se que as mudanças climáticas poderão destruir 167 milhões de casas até 2040. O Fórum Urbano Mundial, criado em 2001, marca este ano o décimo aniversário da Nova Agenda Urbana, com debates que devem contribuir para a revisão dessa agenda pela Assembleia Geral da ONU em julho.






