Início Distrito Federal GDF tem 180 dias para fazer obras de acessibilidade no Ulysses Guimarães

GDF tem 180 dias para fazer obras de acessibilidade no Ulysses Guimarães

Agefis apontou 39 falhas; secretaria diz ter ‘plano de ação’ para o espaço.
Queixa de pessoas com deficiência foi feita em 2006; processo é de 2011.

A 3ª Vara de Fazenda Pública do Distrito Federal determinou prazo de 180 dias para que o GDF e a Novacap realizem obras de acessibilidade no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, no Eixo Monumental. A decisão se baseia em um laudo da Agefis que identificou 39 falhas no protocolo de atendimento a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

O juiz Jansen Fialho de Almeida afirma que há “patente violação do direito invocado” dos usuários do Centro de Convenções. “Na verdade, vê-se o indubitável vilipêndio e o descaso havido durante os últimos anos ao legítimo direito de ir e vir conferido aos cidadãos, colocando em risco a incolumidade dos usuários do espaço em caso de eventuais incidentes”, diz a sentença. Em caso de descumprimento, GDF e Novacap podem ser penalizados com multa.

A primeira reclamação do Instituto Cultural e Profissionalizante de Pessoas com Deficiência (Dficep) foi protocolada em 2006 no Ministério Público, que propôs ação civil pública contra o GDF em 2011. Em 2013, o Tribunal de Justiça deu ganho de causa ao MP, mas excluiu as penalidades da sentença em recurso ainda na primeira instância.

Habite-se
Reformado em 2008, o Ulysses Guimarães não tem carta de habite-se, documento necessário para o uso de qualquer edificação. Em março, o secretário de Turismo, Jaime Recena, afirmou aoG1 que a pasta tem um acordo com o MP para executar um “plano de ação de modificações relacionadas à acessibilidade”.

O acordo permite o funcionamento da própria secretaria no prédio, que também hospedou o Centro de Venda de Ingressos da Copa do Mundo e um Centro Aberto de Mídia durante a competição, em 2014. Segundo Recena, as obras devem ser concluídas até o fim do ano.

Reforma sob suspeita
Em março, o MP abriu outra ação na Justiça em que aponta um superfaturamento de R$ 20 milhões na reforma do espaço, iniciada em 2008. A obra durou cinco anos e custou R$ 131 milhões. Um levantamento do Tribunal de Contas identificou sobrepreço em peças elétricas, vasos sanitários, luminárias e paredes de vidro, entre outros itens.

A ação civil pública pede que a construtora OAS, citada na Operação Lava Jato da Polícia Federal, e cinco ex-funcionários da Novacap, incluindo dois ex-presidentes, devolvam os R$ 20 milhões aos cofres públicos. O processo foi protocolado no Tribunal de Justiça do DF e os réus serão convocados para apresentar defesa.

Em nota, a OAS afirmou que exerce suas atividades pautada pela “conduta ética” e pelo “respeito às leis”. A construtora nega as acusações de superfaturamento.

O engenheiro eletricista Antônio Lourival Cardoso, que atuava na fiscalização da obra junto à Novacap, afirmou à TV Globo que já foi inocentado em outro processo judicial sobre o mesmo tema. Os outros quatro ex-funcionários da Novacap citados na ação do MP não foram localizados pela TV Globo e pelo G1.

Fonte: G1