Da redação
Integrantes do governo federal e da coordenação da pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) veem as manifestações recentes dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, em favor de Flávio Bolsonaro (PL), como tentativas de interferência estrangeira na eleição brasileira. A avaliação é de que essas ações podem ganhar intensidade nos dias que antecedem a votação, especialmente nas redes sociais, devido à pressão de Trump sobre empresas de tecnologia.
No último fim de semana, Milei participou da convenção do PL que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência, ocasião em que atacou Luiz Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, e declarou apoio a Flávio. Segundo aliados de Lula, a exibição de vídeo feito com inteligência artificial do ex-presidente Jair Bolsonaro durante o evento indica que a campanha bolsonarista testa os limites das regras eleitorais, já que Jair Bolsonaro está impedido por decisão judicial de aparecer em redes sociais.
Ainda conforme interlocutores do Palácio do Planalto, espera-se que o Tribunal Superior Eleitoral adote medidas preventivas para coibir o uso de ferramentas de inteligência artificial nas campanhas, embora lideranças governistas ponderem que não seria possível impedir eventuais ações coordenadas. Recentemente, Lula relatou a esses aliados que o atual momento eleitoral é distinto, justamente pelas possibilidades de intervenção internacional, a exemplo das articulações de Trump e Milei.
Na véspera do evento do PL, o Washington Post revelou que Trump pretendia enviar auxiliares ao Brasil para questionar a integridade do processo eleitoral, mas o Itamaraty negou vistos aos dois funcionários americanos. O governo chinês manifestou apoio à soberania brasileira após conversa telefônica entre Lula e Xi Jinping, reforçando preocupação internacional com possíveis interferências. Além disso, em junho, o governo Trump classificou as facções CV e PCC como organizações terroristas, e, no ano passado, o governo americano citou o julgamento de Jair Bolsonaro como justificativa para sanções econômicas contra o Brasil.




