Início Mundo Governo Milei sofre queda econômica, corrupção e reprovação recorde na Argentina

Governo Milei sofre queda econômica, corrupção e reprovação recorde na Argentina


Da redação

O governo de Javier Milei enfrenta a pior crise desde sua posse na Argentina, marcada por escândalos de corrupção, aumento da inflação e queda na atividade econômica. Em março de 2026, a inflação mensal subiu para 3,4%, após recuo registrado em 2025. A retração econômica pressiona ainda mais a popularidade do presidente.

Após uma fase de redução da inflação ao longo de 2025, o índice voltou a avançar, colocando em xeque a principal conquista do governo. Milei reconheceu publicamente as dificuldades, afirmando em rede social que o aumento da inflação é um dado ruim. O contexto econômico impactou diretamente sua avaliação popular.

Dados oficiais mostram que a atividade econômica da Argentina caiu 2,6% em fevereiro de 2026 em relação a janeiro, acumulando recuo de 2,1% em 12 meses. No mesmo período, a produção industrial teve queda de 4% no mês e 8,7% ao longo do ano, agravando a preocupação com recessão e desindustrialização.

O economista Paulo Gala, da Fundação Getulio Vargas, apontou que a dolarização informal de contratos acelera a inflação e criticou o plano econômico do governo como simplista. Gala também destacou que a redução do Estado não resolve o problema, e que o peso sobrevalorizado pode levar a uma nova crise cambial.

Escândalos envolvendo possíveis casos de corrupção, como as investigações sobre enriquecimento ilícito do chefe de gabinete Manuel Adorni, têm contribuído para a deterioração da imagem do governo. Pesquisas de abril de 2026 demonstram desaprovação superior a 60% e percepção majoritária de quebra das promessas anticorrupção de Milei.

Apesar do aumento da inflação, a Fitch Rating elevou a nota de crédito argentina de CCC+ para B-, reconhecendo avanços fiscais, o que impulsionou a bolsa. Em abril, o governo restringiu o acesso da imprensa à Casa Rosada, afetando cerca de 60 jornalistas, mas voltou a permitir a entrada com limitações a partir de 3 de maio.