Da redação
O governo de Donald Trump, em resposta a uma carta de congressistas dos Estados Unidos, declarou apoiar o direito dos brasileiros a eleições livres e justas, mas não esclareceu se respeitará o resultado do pleito presidencial brasileiro. A manifestação, assinada por Katherine Bowles, secretária-assistente do Escritório de Assuntos Legislativos do Departamento de Estado, não atendeu ao pedido direto dos parlamentares sobre o compromisso com o processo eleitoral no Brasil.
Segundo o documento, o Departamento de Estado afirmou que continuará a dialogar com o povo brasileiro, o setor privado e o governo eleito para promover segurança, comércio, investimentos e prosperidade em ambos os países. A carta respondia a questionamentos enviados por um grupo liderado pelos deputados Delia Ramirez, Pramila Jayapal e Jesús Chuy García, que expressaram preocupação com uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. Entre as dúvidas apresentadas, estava o critério adotado por Washington para aplicar sanções a autoridades brasileiras.
O governo americano reiterou as acusações que justificaram, em julho de 2025, a aplicação da Lei Global Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Segundo a resposta, as medidas se basearam em “evidências documentadas de graves violações de direitos humanos”. Os congressistas também questionaram a classificação das facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas, argumentando que a decisão contrariava propostas de cooperação apresentadas pelo governo brasileiro.
No documento, o Departamento de Estado defendeu que a designação das facções foi motivada pela ameaça à segurança dos Estados Unidos e da região, destacando a violência e o alcance das redes criminosas. Não foram detalhados os procedimentos de análise de pedidos de sanção nem explicadas as razões para a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti. O governo americano alegou manter contatos regulares com autoridades e sociedade civil do hemisfério ocidental sobre democracia e integridade eleitoral, inclusive via a Organização dos Estados Americanos.




