Da redação
A Polícia Federal prendeu Márcio Correia de Oliveira, conhecido como Márcio Canella, apontado como “patrono político e articulador de alto escalão” de uma organização criminosa que, conforme a investigação, movimentou R$ 7,6 bilhões em uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro. Segundo a PF, Canella seria o elo entre o poder público, a economia e as “franjas armadas” do grupo, relação detalhada em representação ao Supremo Tribunal Federal. O valor, estimado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras, envolve 835 pessoas e empresas.
De acordo com a PF, Canella era responsável por indicar integrantes estratégicos em órgãos estaduais, tendo, conforme a representação, articulado a nomeação de Marcus Vinicius Amim Fernandes para a presidência do Detran-RJ e para a Secretaria de Polícia Civil, mediante manobra legislativa na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A defesa de Canella afirmou que ele “disse que confia em Deus, na Justiça e que tem certeza que tudo será esclarecido”. O advogado de Amim, Thiago Minagé, aguarda acesso à decisão para prestar esclarecimentos.
A PF citou ligações da organização investigada com milícias e o tráfico de drogas, incluindo a nomeação de ex-vereadores investigados por suposto envolvimento miliciano e negociações com o Comando Vermelho. Em mandado de busca na residência de Canella, foram apreendidos armas, munição, relógios de luxo, dois carros e duas motos de alto valor. Manuscritos encontrados com José Carlos Alves de Souza Júnior, apontado como gestor financeiro, relacionam repasses em dinheiro a Canella, totalizando mais de R$ 139 mil.
Segundo a PF, Canella recebeu cerca de R$ 2,59 milhões entre maio de 2025 e abril de 2026, parte da quantia repassada a familiares e aliados políticos, e parte recebida de empresa da qual é sócio. A PF destaca que, embora não seja operador direto das finanças do grupo, Canella é beneficiário recorrente dos recursos. Christiano Gaspar Fernandes, também preso e atual secretário municipal em Belford Roxo, é investigado por suposta ligação com organizações milicianas e já foi absolvido em segunda instância após responder a processo por envolvimento semelhante. Moraes fixou bloqueio de até R$ 700 milhões para os investigados da operação.




