Da redação
Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã devem atrapalhar os planos do presidente Lula (PT) de visitar o presidente americano Donald Trump ainda este mês. Lula chegou a citar o dia 16 como possível data para o encontro, mas o Itamaraty já admite adiar a viagem para abril, em razão da prioridade dada à guerra no Oriente Médio pelas lideranças americanas.
Integrantes do Planalto e do Itamaraty afirmam que o conflito dificulta a definição da data da reunião, que já não estava confirmada antes do início da guerra. Quatro auxiliares do governo, sob anonimato, disseram que o conflito no Irã não tem impacto político sobre a visita, mesmo após o governo brasileiro condenar oficialmente os bombardeios e o rompimento das negociações de paz.
Na segunda-feira (2), Trump declarou que a guerra pode durar mais quatro ou cinco semanas, mas afirmou que os Estados Unidos têm capacidade para “ir muito além disso”. Em 27 de março, véspera dos ataques, Trump disse que “adoraria” receber Lula. O encontro deve tratar principalmente de temas bilaterais, como tarifas e combate ao crime organizado, além da guerra no Irã e da situação em Cuba.
O governo mantém a orientação para que a equipe internacional de Lula esteja pronta para organizar a viagem assim que houver sinalização positiva da Casa Branca. Enquanto isso, já preocupa o impacto da guerra sobre o preço internacional do petróleo, agravado nesta terça-feira (3) pela possibilidade de fechamento do estreito de Hormuz para navegação. O governo avalia, porém, que a alta do dólar pode mitigar os efeitos no Brasil e que o risco à popularidade de Lula é pequeno no momento.
Ministros minimizam os efeitos da guerra para o Brasil. Fernando Haddad (Fazenda) declarou que as turbulências de curto prazo não devem afetar a economia nacional. Rui Costa (Casa Civil) reconheceu impactos no câmbio e no petróleo, mas descartou aumento da inflação ao afirmar que o Brasil é autossuficiente em petróleo.






