Início Brasil Haddad alerta que vazamentos podem colocar investigação sobre Lulinha em risco

Haddad alerta que vazamentos podem colocar investigação sobre Lulinha em risco

Por Alex Blau Blau

Candidato ao governo de São Paulo defende respeito ao sigilo das apurações e afirma que irregularidades no procedimento podem provocar questionamentos futuros sobre a validade do processo

O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad afirmou que a divulgação indevida de informações sigilosas pode comprometer as investigações que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao comentar as apurações conduzidas pela Polícia Federal, Haddad defendeu que todos os procedimentos previstos em lei sejam respeitados. Para ele, eventuais violações de sigilo durante o trabalho investigativo podem abrir caminho para contestações e prejudicar o resultado do processo.

“Se você quiser se valer da sua autoridade para quebrar um sigilo definido pela Justiça, você vai acabar incidindo num erro”, afirmou.

A manifestação ocorre após a defesa de Lulinha pedir providências sobre o vazamento de informações relacionadas às investigações. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Polícia Federal apure de que forma dados protegidos por sigilo chegaram a público.

Haddad também afirmou que eventuais ganhos políticos provocados pela exposição antecipada de informações não podem se sobrepor ao cumprimento da lei. Segundo ele, uma investigação precisa ser conduzida de maneira regular para que suas conclusões tenham validade e possam resultar em responsabilização ou absolvição com base nas provas.

O candidato defendeu ainda independência para delegados, superintendentes e demais autoridades responsáveis pelas apurações, sem interferência do governo federal.

“O que importa é fazer justiça. Doa a quem doer, seja qual for o resultado”, declarou.

Investigações

Lulinha passou a ser alvo de três investigações autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal no fim de julho. Duas estão sob relatoria do ministro André Mendonça e uma sob responsabilidade do ministro Flávio Dino.

As apurações avançaram após investigadores identificarem relações de Lulinha com pessoas investigadas no contexto da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de fraudes envolvendo benefícios do INSS.

Informações obtidas a partir de material apreendido pela Polícia Federal passaram a integrar as investigações. As autoridades procuram esclarecer se houve eventual atuação para influenciar decisões dentro do governo federal.

Lulinha nega ter cometido qualquer irregularidade. Outros investigados mencionados nas apurações também rejeitam participação em atos ilícitos.