Da redação
O Conselho Presidencial de Transição (CPT) do Haiti encerrou seu mandato de dois anos neste sábado (7), após pressões dos Estados Unidos, que ameaçaram intervir caso o poder não fosse mantido com o primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé. Em cerimônia na capital Porto Príncipe, o presidente do CPT, Laurent Saint-Cyr, afirmou que a transição ocorreu sem deixar o país em um vazio de poder e ressaltou que “a palavra de ordem é clara: segurança, diálogo político, eleições e estabilidade”.
Desde abril de 2024, o CPT, composto por nove conselheiros, governava o Haiti para organizar eleições gerais e restabelecer o controle estatal sobre áreas dominadas por gangues. O período de transição foi necessário após a renúncia do ex-primeiro-ministro Ariel Henry, que estava no cargo desde o assassinato do presidente Jovenel Moïse, em julho de 2021.
Às vésperas do fim do mandato, o CPT cogitou destituir Fils-Aimé, mas os Estados Unidos reagiram rapidamente. O governo Trump enviou três navios de guerra à Baía de Porto Príncipe como parte da Operação Lança do Sul, e a embaixada americana declarou que qualquer tentativa de alterar a composição do governo seria vista como ameaça à estabilidade regional.
Segundo o professor Ricardo Seitenfus, especialista em Haiti, houve tentativa de golpe para retirar Fils-Aimé do cargo, mas ele permaneceu graças à articulação política e ao apoio internacional. Ele avaliou que a segurança melhorou e defendeu eleições rápidas: “sem eleições nada será resolvido”.
Para garantir a realização das eleições, previstas para outubro ou novembro, o Haiti conta com uma missão internacional de policiais liderados pelo Quênia, aprovada pela ONU, e ações para retomar territórios ocupados por gangues, inclusive com o uso de mercenários estrangeiros.





