Início Brasil Helicóptero envolvido em acidente no Rio prestava serviço irregular à prefeitura

Helicóptero envolvido em acidente no Rio prestava serviço irregular à prefeitura


Da redação

O helicóptero PR-DJJ, que se envolveu em uma colisão aérea resultando em seis mortes no domingo (14), no Rio de Janeiro, fazia parte de um acordo considerado irregular pela Anac. O acidente ocorreu sobre a Avenida das Américas e está sendo investigado pelo Cenipa, órgão da Força Aérea Brasileira.

O acordo firmado em abril de 2025 entre o proprietário do helicóptero, Maurício da Cunha e Silva Espíndola Dias, e o Centro de Operações e Resiliência da prefeitura carioca previa a oferta periódica de horas de voo ao município em troca do direito de uso do heliponto da Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul.

Segundo a Anac, a aeronave estava registrada na categoria de Transporte Privado de Pessoas (TPP) e não poderia prestar esse tipo de serviço. O órgão afirma que “aeronaves privadas não podem receber compensação para realizar voos” e que o transporte não pode ser cobrado, mesmo indiretamente.

Técnicos do setor avaliam que, embora não houvesse pagamento em dinheiro, o proprietário recebia benefício econômico concreto pelo uso da infraestrutura pública. O termo de compromisso determina que, em caso de descumprimento, o valor da hora de voo seria calculado conforme pesquisas em empresas de táxi aéreo.

O voo do acidente não envolvia prestação de serviço para a prefeitura. As vítimas incluíram o cantor norte-americano Oliver Tree, o produtor Lucas Frota, o influenciador Gaspi e o cineasta Lucas Vignale. O outro helicóptero, pilotado por Charles Marsillac, seguia para buscar passageiros. O município mantém acordos semelhantes com outros operadores.

A prefeitura do Rio não se pronunciou até o momento sobre o caso. Segundo a Anac, só tomou conhecimento desse tipo de permuta recentemente e está avaliando sua legalidade. O prefeito Eduardo Cavaliere declarou que os pilotos envolvidos eram experientes e disse conhecer um deles.