Início Política Henrique Vorcaro pagou R$ 400 mil mensais a policiais federais por vazamentos

Henrique Vorcaro pagou R$ 400 mil mensais a policiais federais por vazamentos


Da redação

Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, é investigado por repassar mensalmente R$ 400 mil ao policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, com o objetivo de obter informações de investigações sigilosas da Polícia Federal. O esquema foi constatado entre 2023 e 2024, conforme relatório da PF.

Segundo as investigações, Roseno teria criado um mecanismo de vazamento interno na corporação. Para isso, ele oferecia pagamentos via Pix, presentes e gratificações a servidores da ativa, como o agente Anderson Wander da Silva e a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva, que também acessavam dados de interesse da família Vorcaro nos sistemas internos da PF.

Participariam ainda do esquema os policiais federais aposentados Sebastião Monteiro Júnior e Francisco Pereira da Silva, além de um terceiro agente da ativa não identificado. A PF apurou que a infiltração garantia a Henrique e Daniel Vorcaro acesso a informações sigilosas, como registros de inquéritos e mandados de prisão.

Por determinação do Supremo Tribunal Federal, Sebastião Monteiro Júnior, Francisco Pereira da Silva e Anderson Wander da Silva foram alvos de mandados de prisão preventiva. Já a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva foi afastada do cargo. A reportagem não obteve retorno das defesas dos principais investigados até a publicação.

As investigações apontam que os repasses a Roseno eram justificados como prestação de serviços por meio da empresa Roseno & Ribeiro Gestão Empresarial Ltda. Parte do dinheiro passava pela King Participações, de Luiz Phillipi Mourão, funcionário de Daniel Vorcaro, com repasses feitos pelo cunhado, Fabiano Zettel.

A PF identificou notas fiscais de pagamentos e mensagens que mostram como os valores eram mascarados e como a estrutura funcionava. Também há menção à participação de Erlene Nonato Lacerda como suposta laranja para ocultar os depósitos. Até o momento, o relatório não identificou pagamentos diretos à delegada Valéria e ao agente Francisco.