Da redação
Entre 11 e 15 de maio de 2020, a figurinista M.S.P.M., de 36 anos, relatou em seu diário o aumento da preocupação com a pandemia de Covid-19 no Brasil. Em relato anônimo, escreveu: “A preocupação com as pessoas e a realidade da pandemia têm sido mais concreta ultimamente. O que antes eram só estatísticas, começamos a ver pessoas próximas sendo contagiadas e notícias de falecimento de conhecidos com mais frequência”.
A Covid-19 chegou ao Brasil em 2020, inicialmente com a expectativa de apenas 15 dias de isolamento social. No entanto, o país enfrentou três anos de pandemia severa, registrando 700 mil mortes. No início da quarentena, entre abril e maio de 2020, cerca de 30 mil pessoas foram convidadas pela Olimpíada Nacional de História do Brasil (ONHB) a escreverem diários sobre o período.
“Como todo ano, tínhamos a expectativa da olimpíada, mas, naquele momento, naquela incerteza, não era possível. Foi então que decidimos abrir a prova e a participação. Naquele momento, foi uma iniciativa de acolhimento”, explica Cristina Meneguello, professora e coordenadora da ONHB.
Seis anos depois, o Memorial Digital da Pandemia de Covid-19 expõe os relatos de 7 mil participantes, projeto que conta com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Meneguello afirma que “esse memorial é uma forma de resguardar a memória” e ressalta a importância da “proteção ativa da memória”, dinâmica e relacionada à história do país.
A iniciativa se inspirou no Mass Observation, experimento britânico criado em 1937 e retomado durante a Segunda Guerra Mundial. A ONHB, criada em 2009 pela Unicamp, reúne anualmente estudantes e docentes para provas baseadas em documentos históricos, e conta com mais de 200 mil participantes nas últimas edições. As informações são do Governo Federal.






