Da redação
O Brasil registrou queda de 5,5% nos homicídios totais cometidos contra mulheres em 2025, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Ao mesmo tempo, os feminicídios, definidos como homicídios motivados por razões de gênero, aumentaram 4% e atingiram o maior patamar da série histórica.
De acordo com o levantamento, foram 3.539 homicídios de mulheres em 2025, contra 3.728 em 2024. Os feminicídios subiram de 1.504 para 1.571, passando a representar 44,4% das mortes violentas de mulheres no país, conforme registrado pela maior proporção desde a criação da Lei do Feminicídio. Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do Fórum, afirmou que há uma combinação entre “melhora gradual na identificação dos crimes pelas polícias civis, persistência da violência de gênero e redução da violência letal associada à criminalidade urbana”. Ela destaca, porém, que o crescimento contínuo dos feminicídios ao longo do tempo não pode ser atribuído apenas ao aperfeiçoamento dos registros.
O dado mais recente aponta que 66,3% dos feminicídios ocorreram dentro de residências, enquanto apenas 19,2% aconteceram em vias públicas. Entre 2012 e 2022, houve queda de 34,2% na taxa de homicídios de mulheres fora de casa, enquanto os assassinatos dentro dos lares permaneceram quase inalterados. Brandão ressalta que o feminicídio é o desfecho de uma escalada de violência de gênero, precedida muitas vezes por ameaças, agressões e descumprimento de medidas protetivas.
Em 2025, para cada feminicídio, houve média de 502 ameaças, 182 agressões físicas, 79 registros de perseguição, 84 descumprimentos de medidas protetivas de urgência e 2,7 tentativas de feminicídio. Os crimes de perseguição cresceram 30,1%, totalizando 123.871 registros, enquanto a violência psicológica teve aumento de 16,9%. Brandão avalia que os números mostram limitações na capacidade do Estado de impedir desfechos fatais mesmo diante de medidas protetivas ativas.





