Por Alex Blau Blau
Assembleia nacional definiu novas diretrizes para as comunidades da denominação após três anos de debates sobre inclusão e participação na vida da igreja
A Igreja Presbiteriana Unida (IPU) aprovou mudanças em suas diretrizes internas que permitem o acolhimento de pessoas LGBTQIAPN+ como membros das igrejas locais e autorizam que integrantes desse grupo possam exercer o ministério pastoral, desde que atendam aos requisitos previstos para a função.
A decisão foi tomada durante a Assembleia Geral da denominação, realizada em Salvador, na Bahia, e representa o desfecho de um processo de debates iniciado em 2023 com a criação de uma comissão dedicada ao estudo das questões relacionadas à identidade de gênero e à diversidade sexual.
Segundo o relatório aprovado pelos delegados da assembleia, a medida não altera os fundamentos doutrinários da Igreja Presbiteriana Unida nem obriga todas as congregações a adotar uma única interpretação sobre o tema. O documento estabelece diretrizes que reconhecem a possibilidade de inclusão tanto na membresia quanto na liderança religiosa.
Ao longo dos últimos três anos, a comissão responsável pelo estudo promoveu encontros com representantes de igrejas locais, integrantes da comunidade LGBTQIAPN+, pastores e especialistas, reunindo diferentes interpretações existentes dentro da própria denominação sobre o assunto.
Além da abertura para o ingresso de pessoas LGBTQIAPN+ nas comunidades e no ministério pastoral, a assembleia também aprovou princípios voltados ao combate à discriminação. Entre eles estão a rejeição a discursos de ódio, práticas de violência simbólica, espiritual ou psicológica e iniciativas conhecidas como “cura gay”.
A Igreja Presbiteriana Unida surgiu na década de 1970 após a separação de pastores ligados à defesa da democracia, da justiça social e dos direitos humanos. Desde então, a denominação reúne diversas igrejas locais espalhadas pelo país.
Com a deliberação aprovada na assembleia, a IPU passa a integrar o grupo de denominações cristãs históricas brasileiras que reconhecem a possibilidade de participação de pessoas LGBTQIAPN+ tanto na vida comunitária quanto no exercício do ministério pastoral, respeitando as normas estabelecidas pela própria instituição.





