Da redação
O deputado Patrus Ananias (PT) foi escolhido para disputar o governo de Minas Gerais, em um movimento considerado solução interna para o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado. A decisão evidencia, segundo integrantes do Partido dos Trabalhadores, a resistência de Lula em negociar com a direção nacional do Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
Durante as discussões para a formação da chapa, houve o episódio de tentativa de aproximação entre Marília Campos (PT), pré-candidata ao Senado, e Gabriel Azevedo, nome apresentado pelo MDB à disputa pelo governo estadual. Dirigentes do PT sugeriram articulação direta entre Lula e Baleia Rossi (SP), presidente nacional do MDB, para viabilizar uma aliança, mas, de acordo com petistas, Lula não aceitou negociar.
Pessoas ligadas a Rossi afirmam que a conversa com Lula não existiu. Segundo relatos, mesmo com a participação do MDB no ministério do atual governo federal, a recusa presidencial reforçou uma fissura entre os dois partidos. Os contatos eventuais de Lula com Rossi e Michel Temer em 2022, em cerimônia no Tribunal Superior Eleitoral, não resultaram em reaproximação. “Foi uma conversa de elevador”, avaliou um petista. Dilma Rousseff, também presente, não interagiu com Temer, de quem, conforme declarações do ex-presidente, não recebeu mais contato.
Mesmo assim, o PT restabeleceu relações com políticos que apoiaram o impeachment, como Geraldo Alckmin, atual vice-presidente, e mantém alianças com nomes influentes do MDB, entre eles os senadores Renan Calheiros (AL), Jader Barbalho (PA) e Eunício Oliveira (CE). Gabriel Azevedo, por sua vez, nega que ressentimentos tenham afetado negociações em Minas Gerais e menciona diálogo com Pedro Rousseff, vereador em Belo Horizonte.





