Da redação
A indústria brasileira encerrou 2025 com crescimento de 0,6%, registrando o terceiro ano consecutivo de expansão, segundo a Pesquisa Industrial Mensal divulgada nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado, porém, reflete desaceleração, especialmente nos últimos meses do ano, quando o setor sentiu o impacto dos juros elevados.
O ritmo mais lento ficou evidente ao comparar os semestres: até junho, a produção acumulava alta de 1,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. No segundo semestre, porém, a variação foi nula (0%). Entre setembro e dezembro, houve recuo de 1,9%. Em dezembro, a produção industrial caiu 1,2%, o pior desempenho desde julho de 2024 (-1,5%), com três quedas e uma estabilidade nos últimos quatro meses do ano.
Em 2025, a indústria posicionou-se 0,6% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020), mas ainda está 16,3% abaixo do pico histórico, atingido em maio de 2011. O levantamento apontou crescimento em duas das quatro grandes categorias econômicas: bens de consumo duráveis (2,5%) e bens intermediários (1,5%). Já bens de consumo semi e não duráveis e bens de capital caíram 1,7% e 1,5%, respectivamente.
Entre as 25 atividades pesquisadas, 15 apresentaram avanço, com destaque para as indústrias extrativas (4,9%) e produtos alimentícios (1,5%). Em 2025, houve alta na produção em 49,6% dos 789 produtos pesquisados.
Segundo o gerente da pesquisa, André Macedo, o principal fator para a perda de fôlego da indústria foi a política monetária restritiva, com juros altos que retardam decisões de investimento e consumo, principalmente em bens duráveis. “Os juros altos têm esse caráter de diminuir a intensidade da economia, e o setor industrial está nesse contexto”, afirmou. Em dezembro, a produção de veículos automotores caiu 8,7%.





