Da redação
Jalal Abdel-Latif, consultor sênior de Políticas Sociais da Comissão Econômica para a África (Uneca), se reuniu com jovens africanos em junho de 2025 para debater as dificuldades de acesso a oportunidades no continente. O encontro incluiu empreendedores, trabalhadores formais e desempregados, sendo a falta de investimentos apontada como obstáculo central.
Durante as discussões, Abdel-Latif ouviu autoridades municipais, empresas, educadores e jovens para entender o funcionamento das políticas já existentes. Ele destacou que programas de formação, embora ensinem profissões, não garantem vagas reais no mercado de trabalho após a conclusão. “O desafio não está mais na concepção de políticas, mas em sua implementação”, afirmou.
Segundo dados da Uneca, até 2035, mais jovens ingressarão por ano no mercado de trabalho africano do que no restante do mundo. Isso exige ações econômicas robustas para criar postos de trabalho e garantir o acesso da juventude ao emprego. A falta dessas oportunidades contribui para crescente insatisfação entre os jovens.
A Carta da Juventude da União Africana determina que os Estados devem criar e implementar políticas nacionais voltadas aos jovens. Tais políticas precisam contar com participação ativa da juventude, mecanismos institucionais de coordenação, diagnósticos baseados na realidade juvenil e promoção da igualdade de oportunidades, em especial para mulheres, além de financiamento adequado.
O problema, porém, não é apenas o número de empregos, mas também sua qualidade. Em diversos países africanos, a economia ainda não gera posições suficientes, levando muitos jovens ao trabalho informal, como vendedores ambulantes ou trabalhadores temporários na construção civil. Abdel-Latif ressaltou que essa situação afeta milhões de pessoas.
A situação é considerada mais crítica para as mulheres no continente. Apesar de a África apresentar uma das maiores taxas de empreendedorismo feminino do mundo, a Uneca aponta que muitas mulheres empreendem por necessidade. Das verbas de investimento, apenas 1% chega a empreendedoras, mesmo entre as que têm alta escolaridade, revela relatório da comissão.







