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Jovens indígenas do Brasil usam comunicação e arte para enfrentar crise climática


Da redação

Jovens indígenas brasileiros estão conquistando visibilidade nas redes sociais ao usar comunicação, música e dança como instrumentos de resistência diante das ameaças provocadas pelo desmatamento e pela crise climática. Marciele Albuquerque, do povo Munduruku, Kaê Guajajara, do povo Guajajara, e Cristian Wariu, do povo Xavante, integram a iniciativa “Verificado” das Nações Unidas, que busca combater a desinformação sobre temas climáticos.

Marciele relata que, em Juruti, no Pará, percebe um aumento do calor e diminuição da oferta de frutas na floresta, além de variações extremas nas cheias e secas, que afetam o acesso e a alimentação de sua comunidade. Cristian, do território Parabubure, no Mato Grosso, destaca a preocupação com queimadas intensas no cerrado, as quais, segundo ele, têm impactado a cadeia alimentar do povo Xavante e afetado a saúde da população. A estimativa da ONU é de que mais de 370 milhões de indígenas em todo o mundo são impactados pela crise climática.

Kaê Guajajara utiliza sua música para denunciar a retirada forçada dos indígenas dos territórios e reflete sobre a necessidade de distinguir informações verdadeiras de fake news. Segundo ela, ao menos metade da população indígena brasileira vive nas cidades e necessita de mais políticas públicas específicas. Kaê vê o crescimento da presença indígena na música como forma de superar o silenciamento histórico dessas vozes.

A visibilidade conquistada nessas novas frentes, conforme Cristian, fortalece a luta indígena, agora travada também no campo da comunicação e nas telas. Marciele, primeira indígena a se tornar Cunhã-Poranga no festival de Parintins, utiliza a dança para expressar a força das mulheres indígenas. Kaê destaca a importância da Sumaúma, árvore centenária, como símbolo de resistência, inspiração presente em suas canções e reconhecida por diversos povos originários.