Da redação
Um juiz federal dos Estados Unidos tornou pública, nesta quinta-feira, uma carta de suicídio supostamente escrita por Jeffrey Epstein, ex-empresário acusado de liderar uma rede de abuso sexual, em 2019 no Centro Correcional de Manhattan. O documento ficou sob sigilo por anos, vinculado ao processo criminal contra um ex-colega de cela.
No texto, Epstein afirma ter sido investigado por meses sem que nada fosse encontrado contra ele, destacando que a acusação utilizou um relato antigo. Segundo o conteúdo da carta, ele escreve: “Eles me investigaram por meses — NÃO ENCONTRARAM NADA!!! Então o resultado foi uma acusação de 16 anos atrás”.
A carta teria sido localizada por Nicholas Tartaglione, então colega de cela de Epstein, após encontrá-lo inconsciente em julho de 2019. Tartaglione declarou ter encontrado o bilhete no momento do incidente, ao qual sobreviveu. Poucas semanas depois, Epstein, então com 66 anos, foi encontrado morto na prisão, em caso considerado suicídio pelas autoridades.
Nicholas Tartaglione foi condenado em 2023 a quatro penas de prisão perpétua em uma penitenciária federal na Califórnia. Ele recorre da sentença e declara ser inocente. O juiz Kenneth M. Karas, responsável pelo caso, tornou pública a carta após solicitação do jornal The New York Times, não havendo oposição do Ministério Público Federal de Manhattan à divulgação.
Promotores do caso disseram ao juiz que “parece haver um forte interesse público nas circunstâncias que envolveram a morte de Epstein”. O New York Times declarou não ser possível confirmar a autoria da carta por parte de Epstein. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos não comentou sobre a decisão de divulgação do material.
O Departamento de Justiça norte-americano já tornou públicos mais de três milhões de páginas relacionadas ao caso Epstein, incluindo milhares de fotos e vídeos. Parte da documentação foi inicialmente retida, mas divulgada após pressão do Congresso e da opinião pública. Trump, que rompeu laços com Epstein antes de 2008, nunca foi acusado oficialmente no caso.







