Início Economia Juros altos elevam endividamento das famílias e motivam Novo Desenrola Brasil

Juros altos elevam endividamento das famílias e motivam Novo Desenrola Brasil

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Da redação

O governo federal lançou nesta semana o Novo Desenrola, programa criado para auxiliar famílias brasileiras a renegociarem dívidas em meio ao aumento do endividamento. Dados apontam que a combinação de altas taxas de juros e spreads bancários vem impactando diretamente o orçamento das famílias no país.

O spread bancário, diferença entre os juros pagos ao mercado e aqueles cobrados dos consumidores, atingiu 34,6 pontos percentuais em março, segundo o Banco Central. Trata-se de uma das maiores médias do mundo, distante do índice global calculado pelo Banco Mundial, que gira em torno de 6 pontos percentuais.

Maria Lourdes Mollo, professora da UnB, explica que a elevação da Selic imposta pelo Banco Central eleva os juros praticados pelos bancos. “Os juros dos empréstimos estão muito altos. Isso tem uma relação direta, sem dúvida nenhuma, com o endividamento das pessoas, o que tem dificultado muito a economia a funcionar”, afirmou.

A precarização dos empregos, que segundo Mollo se intensificou após a reforma trabalhista do governo de Michel Temer, agrava o cenário. “Grande parte das pessoas está se endividando para completar o orçamento, para pagar despesas com saúde e do cotidiano”, ressaltou, avaliando que o Novo Desenrola pode aliviar o orçamento familiar.

Levantamento da CNC mostra que 80% das famílias brasileiras estavam endividadas em abril, um patamar recorde. Entre as famílias que ganham até três salários mínimos, o índice de endividamento chega a 83,6%. O total de inadimplentes soma 29,7%.

Segundo o ranking World Open Data de 2024, o Brasil lidera entre os maiores spreads bancários do planeta, seguido por países como República Tcheca e Sudão do Sul. Em março, a taxa média de juros para pessoas físicas chegou a 61% ao ano, enquanto o crédito rotativo do cartão ultrapassa 400%.