Da redação
Três economistas afirmam que os gastos públicos não são responsáveis diretos pelo aumento dos juros e da dívida pública no Brasil. Segundo elas, os juros elevados pagos pela União, que somaram R$ 1 trilhão em 12 meses, pressionam o endividamento e reduzem a oferta de bens e serviços produtivos.
Para essas especialistas, a explicação tradicional de que juros altos servem para conter gastos do governo e controlar preços não corresponde à realidade observada no país. Elas indicam que essa visão, predominante no noticiário econômico, não reflete os principais fatores que influenciam a dívida pública brasileira.
Juliane Furno, professora de economia da Universidade Federal Fluminense, destaca que os juros, e não as despesas primárias, são o principal componente de alta da dívida pública. Segundo ela, os chamados gastos primários englobam salários de servidores e serviços à população, setores que, de acordo com a economista, exercem impacto bem menor.
Na avaliação de Juliane Furno, “é uma hipocrisia apontar que os juros altos respondem à elevação da dívida, porque são os juros que a causam”. Ela complementa que, ao analisar os componentes da dívida pública, “o déficit primário é o que menos impacta a dívida”.
As economistas consultadas destacam que o pagamento de juros elevados gera impactos negativos sobre a capacidade do Estado de investir e de prover serviços públicos. Além disso, afirmam que o cenário beneficia bancos e instituições financeiras responsáveis por administrar tais volumes de recursos.
De acordo com dados oficiais, a soma dos juros pagos pela União alcançou R$ 1 trilhão em um período de 12 meses. O debate sobre o peso dos juros nos gastos públicos ocorre em meio a discussões sobre as políticas econômicas adotadas para o equilíbrio fiscal no país.






