Da redação
Receita Federal e Ministério Público do Paraná deflagraram a segunda fase da Operação Enxágue e a Operação Catéter para apurar suspeitas de sonegação de ICMS, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Foram cumpridos 64 mandados em 28 municípios do Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
A Justiça determinou o sequestro e a indisponibilidade de bens, direitos e valores que somam R$ 271,4 milhões, além de medidas cautelares contra nove investigados. Na Enxágue, o limite autorizado foi de R$ 143,3 milhões; na Catéter, de R$ 128 milhões.
Empresas de fachada em nome de terceiros emitiam notas fiscais sem operações reais. Os documentos geravam créditos tributários fictícios e movimentavam recursos, enquanto o passivo fiscal era transferido a empresas sem patrimônio ou estrutura física. O esquema envolvia sebo e gordura animal, matérias-primas para biodiesel e curtumes.
As ordens judiciais abrangem contas bancárias, veículos, imóveis, participações societárias e cotas de fundos. Na Catéter, foram indicados mais de 80 imóveis, 103 veículos, uma embarcação e ativos de dez fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), usados para converter títulos sem lastro em recursos com aparência legal.
Catéter recebeu provas da Enxágue e de apurações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Receita cumpriu mandados, analisou documentos, produziu sete relatórios e identificou ao menos 35 empresas de fachada. Material será enviado à Receita Estadual do Paraná e à Procuradoria-Geral do Estado para cobrança.




