Da redação
Estudantes participam de cursos de primeiros socorros e defesa civil em Taipé, capital de Taiwan, organizados pela Kuma Academy, que treina civis para situações de crise, incluindo a hipótese de conflito com a China. Segundo Augustine Shen, gerente de projetos da Kuma Academy, “não queremos guerra. Não queremos lutar contra a China. Queremos paz”, mas considera necessário estar preparado para evitar a guerra.
A tensão entre China e Taiwan é antiga, com Pequim reivindicando a ilha como parte de seu território e afirmando que pode retomar o controle da região à força. Taipé, por outro lado, declara-se soberana e conta com apoio militar dos Estados Unidos e de sua indústria de semicondutores para dissuadir uma invasão. Conforme Shen, o principal público dos cursos da Kuma é formado por mulheres, já que o serviço militar é obrigatório apenas para homens em Taiwan.
Nos treinamentos, os alunos aprendem primeiros socorros, técnicas de resgate, operação de drones, autodefesa e métodos para identificar desinformação, denominada guerra cognitiva. Desde 2021, cerca de 100 mil pessoas participaram dos cursos, e a Kuma Academy pretende alcançar 3 milhões de participantes. Shen avalia que a sociedade taiwanesa ainda não está preparada para um conflito, observando que muitos preferem não pensar na possibilidade de guerra.
Segundo pesquisa do Instituto para Pesquisa de Defesa e Segurança Nacional de Taiwan, divulgada em 2025, 65% dos entrevistados consideraram improvável uma invasão da China nos próximos cinco anos, embora as ameaças de Pequim liderem o ranking de preocupações em Taiwan, com 33%. A Kuma Academy afirma ser independente, obter recursos de doações e cobrança de atividades e nega receber verbas públicas. A organização é criticada por parte da sociedade, que teme aumento das tensões e acusações de partidarismo em razão do fundador Puma Shen concorrer à prefeitura de Taipé pelo Partido Democrático Progressista.




