Da redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) articula a manutenção de acordos com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para assegurar o avanço das pautas prioritárias do governo após o esvaziamento do Congresso durante o período eleitoral. Lula busca evitar a necessidade de renegociar com o Centrão após as eleições e reuniu-se com os chefes das Casas no Palácio da Alvorada, onde tratou de temas como o fim da escala 6×1, a PEC da Segurança Pública, a Medida Provisória (MP) da taxa das blusinhas, o marco dos minerais críticos e o Redata, regime de incentivos fiscais para data centers.
Segundo informações do governo, parte do pacote foi apreciada no esforço concentrado mais recente, resultando na aprovação do Redata, da política dos minerais críticos e da MP que zera o Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50. Permanecem pendentes o fim da escala 6×1, que está pronto para o plenário do Senado, a análise de destaques da PEC da Segurança e a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e do Orçamento de 2027, matérias que devem avançar simultaneamente.
De acordo com Alcolumbre, as principais votações devem ocorrer após o primeiro turno das eleições, incluindo a PEC do fim da escala 6×1, apontada como prioridade para Lula. Em meio a pressões aumentadas por conta de embates no Supremo Tribunal Federal, parte dos senadores intensificou as cobranças por andamento de pedidos de impeachment e ameaçaram travar pautas do governo. Alcolumbre, entretanto, resiste a esses pedidos e não sinalizou datas para análise.
A reação da oposição foi criticada por Lula, que, em declaração, disse: “Ontem, o Brasil testemunhou, mais uma vez, quem é quem no Congresso Nacional. Enquanto tentávamos avançar com a PEC que acaba com a jornada 6×1 no Senado, a oposição, capitaneada pelo coordenador da campanha do meu opositor na corrida presidencial, atuava para impedir o avanço da pauta”. O senador Rogério Marinho (PL-RN) foi um dos quatro a manifestar posição contrária na Comissão de Constituição e Justiça e apresentou texto alternativo rejeitado pela comissão.
Segundo o Planalto, manter os acordos feitos agora é considerado fundamental para evitar redefinições no período pós-eleitoral, quando mudanças nas bancadas e negociações envolvendo partidos de centro podem dificultar o andamento de temas como a LDO e o Orçamento. As negociações entre Lula, Alcolumbre e Hugo Motta destravaram as principais pautas, mas o clima político permanece tenso com a oposição do Congresso ameaçando travar votações importantes.




