Da redação
As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro articulam estratégias para atrair eleitores que rejeitam a polarização e demonstraram intenção de votar em Augusto Cury, candidato do Avante, que tem registrado cerca de 5% nas pesquisas, segundo levantamentos citados por interlocutores políticos. Apesar de sinalizar que não pretende desistir nem apoiar ninguém no segundo turno, Cury permanece como alvo das principais candidaturas, que buscam sua adesão ou neutralidade.
De acordo com o Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, presidente da sigla e coordenador-geral da campanha de Lula, tem conduzido tentativas de aproximação com Cury, embora não haja negociação para incorporar propostas do Avante ao programa petista. Segundo dirigentes do PT, Cury é considerado a única possibilidade de aliança no segundo turno, já que os demais candidatos estariam mais alinhados à direita e ao pensamento de Flávio Bolsonaro. O eleitorado de Cury é interpretado por assessores da campanha como voto de protesto contra a polarização.
Aliados de Flávio Bolsonaro afirmam que também buscaram aproximação, especialmente através do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), próximo de Cury. Segundo fontes do Partido Liberal, manter Cury neutro já seria visto como avanço, diante de críticas feitas ao candidato do PL no início da disputa. “A neutralidade dele pode ser bem melhor para a gente do que uma virada”, declarou uma fonte do partido.
Na semana anterior, Cury manifestou a interlocutores a intenção de não apoiar formalmente nenhum dos dois favoritos, admitindo apenas sugerir propostas a serem consideradas pelas campanhas. Em declaração, Cury afirmou acreditar na derrota de Flávio Bolsonaro, destacando Lula como favorito no segundo turno e demonstrando irritação com tentativas do PL de conquistar votos no primeiro turno.



