Da redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou como positiva sua visita à Índia, realizada em retribuição à ida do primeiro-ministro Narendra Modi ao Brasil em julho de 2025, durante a Cúpula do Brics. Foi a quarta viagem de Lula ao país asiático, e resultou na assinatura de 11 acordos governamentais em setores como defesa, aviação, comércio, saúde, tecnologia, energia, minerais críticos, cooperação espacial, educação e cultura. Destaque para a parceria digital para o futuro e instrumentos sobre minerais críticos, propriedade intelectual, saúde, serviços postais e empreendedorismo, além de três acordos público-privados envolvendo universidades e fundações.
Lula destacou o crescimento do comércio brasileiro, afirmando que o país abriu mais de 520 novos mercados em três anos e dois meses. O comércio exterior brasileiro saltou de 100 bilhões de dólares há 21 anos para cerca de 649 bilhões atualmente. Em relação à Índia, o fluxo comercial ultrapassou, pela primeira vez, 15 bilhões de dólares em 2025, representando um aumento de 25% em relação a 2024. Lula sugeriu elevar a meta bilateral para 30 bilhões até 2030, superando a referência inicial de 20 bilhões proposta por Modi.
Em coletiva em Nova Délhi, Lula defendeu a união dos países do Sul Global para quebrar dependências tecnológicas e econômicas herdadas do colonialismo. Afirmou que alianças entre países em desenvolvimento são essenciais para negociações equilibradas com potências, citando: “Países pequenos se unam para negociar com os maiores”.
Sobre o Brics, Lula classificou o bloco como forte, representando quase metade da humanidade, com um banco próprio e sem planos para moeda comum, mas defendendo o uso de moedas nacionais no comércio para reduzir custos e dependências. Sugeriu a integração do Brics ao G20, formando um G30, para promover equilíbrio geopolítico.
Por fim, Lula cobrou reformas na ONU e questionou a ausência de países populosos no Conselho de Segurança, citando crises recentes para defender o multilateralismo. Após a Índia, Lula segue para Seul, onde será recebido pelo presidente Lee Jae Myung, com previsão de adoção do Plano de Ação Trienal 2026-2029 para elevar a parceria ao nível estratégico.




