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Lula reúne equipe econômica para discutir dívida pública e prioridades do próximo mandato

Lula reúne equipe econômica para discutir dívida pública e prioridades do próximo mandato

Por Alex Blau Blau

Encontro no Palácio da Alvorada busca conciliar equilíbrio das contas públicas, manutenção de programas sociais e atração de investimentos estrangeiros

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou integrantes e ex-integrantes da equipe econômica para uma reunião nesta quinta-feira (5), no Palácio da Alvorada, em Brasília. O objetivo é discutir alternativas para conter o crescimento da dívida pública, preservar programas sociais e estimular investimentos durante seu quarto mandato presidencial, que começa em janeiro de 2027.

Entre os convidados estão o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o ex-ministro Fernando Haddad, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que não pôde comparecer devido a outro compromisso. O ex-ministro Guido Mantega também demonstrou interesse em participar das discussões.

A preocupação central envolve a trajetória da dívida pública, que ultrapassou 82% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme os números apresentados. O indicador avançou aproximadamente dez pontos percentuais ao longo do atual mandato.

Diferentes propostas para a economia

Os participantes apresentam avaliações distintas sobre os caminhos necessários para reorganizar as contas federais.

À frente do Ministério da Fazenda, Dario Durigan defende ajustes graduais e estruturais nas despesas públicas, além de medidas que transmitam segurança aos investidores internacionais.

Já Fernando Haddad considera a possibilidade de reorganizar os benefícios sociais, reunindo programas em uma estrutura mais integrada, semelhante ao processo que deu origem ao Bolsa Família em 2003.

O vice-presidente Geraldo Alckmin defende maior controle dos gastos administrativos, revisão de contratos e redução de despesas consideradas desnecessárias. Entre os temas apontados por ele estão os supersalários no funcionalismo, o fundo eleitoral e as emendas parlamentares.

Por outro lado, Guido Mantega sustenta que os juros elevados representam um dos principais obstáculos ao crescimento econômico. Na avaliação do ex-ministro, a redução do custo do crédito e o estímulo à atividade produtiva poderiam contribuir para melhorar a situação fiscal.

Embora ausente do encontro, Gabriel Galípolo representa uma visão voltada à preservação da autonomia do Banco Central, ao cumprimento das metas de inflação e à necessidade de estabilidade econômica.

Investimentos internacionais entram na discussão

Além do controle da dívida, o governo pretende ampliar a participação de investidores estrangeiros em setores considerados estratégicos, especialmente energia limpa, preservação ambiental e exploração de minerais como as terras raras.

A expectativa é atrair recursos privados capazes de impulsionar o crescimento e aumentar a arrecadação sem ampliar diretamente as despesas do governo federal.

Reeleito em 25 de outubro com 51,75% dos votos válidos, Lula inicia as discussões econômicas do próximo mandato diante do desafio de conciliar responsabilidade fiscal, políticas sociais e expansão dos investimentos.

O encontro no Alvorada tem caráter consultivo e deverá contribuir para a definição das prioridades econômicas do governo a partir de 2027.