Da redação
Ataques aéreos, uso de drones e casos de hipotermia continuam ocorrendo na Faixa de Gaza, mesmo após o anúncio do cessar-fogo, informou nesta terça-feira (20) o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Segundo o porta-voz do Unicef, James Elder, mais de 100 crianças morreram desde o início de outubro, o que representa, em média, uma morte de menor de idade por dia durante o cessar-fogo.
Elder afirmou, em entrevista a jornalistas em Genebra, que as mortes são resultado de ataques aéreos, ações de drones, bombardeios de tanques, uso de munição real e quadricópteros operados remotamente. Ele também destacou óbitos causados por hipotermia, devido ao frio intenso e condições precárias de abrigo na região. Seis crianças morreram apenas neste inverno, em meio a ventos de 30 a 40 km/h que destroem as tendas nas praias.
O porta-voz reconheceu avanços no atendimento primário à saúde, com a abertura das primeiras clínicas da Unicef no norte de Gaza e a ampliação dos serviços de imunização. Contudo, ressaltou que evacuações médicas de crianças em estado grave permanecem paralisadas, sem progresso na autorização para remoção desses pacientes nem na ampliação da acolhida por outros países.
Em sua última visita, Elder relatou ter conhecido crianças e famílias que tiveram evacuações negadas, como um menino de nove anos com estilhaços nos olhos, uma menina que corre risco de morte no hospital Al Shifa e outra com necessidade de amputação. Antes da guerra, iniciada após ataques liderados pelo Hamas em Israel em 7 de outubro de 2023, entre 50 a 100 pacientes eram transferidos diariamente.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que, três meses após o cessar-fogo, houve melhoria na entrada de alimentos e suprimentos médicos, mas ainda há atrasos devido a exigências alfandegárias. Itens essenciais classificados como de uso duplo continuam com acesso negado. A OMS alerta para a gravidade das necessidades de saúde em Gaza, agravadas pela superlotação, falta de abrigos adequados e o frio rigoroso, e defende acesso humanitário ampliado e duradouro na região.






