Da redação do Conectado ao Poder
Em interview, Mariana afirma que coronel Naime recusou ordem e evitou tragédia.

Mariana Naime, esposa do coronel da Polícia Militar do Distrito Federal Jorge Eduardo Naime, revelou em entrevista que Ricardo Cappelli, o interventor federal na segurança do DF, ordenou o uso de força letal durante os eventos de 8 de janeiro de 2023. Segundo Mariana, seu marido resistiu à ordem, evitando um potencial “derramamento de sangue”. “Mandando usar força letal, e isso é que é cruel, mandando usar força letal, sem nenhum documento, nenhum, zero”, afirmou Mariana.
Ela contou que recebeu mensagens de manifestantes agradecendo pela postura do coronel, que teria defendido a ideia de não utilizar munições letais. “Eu escutei ele [Naime] protegendo e falando que não ia usar munição letal”, disse Mariana. A impossibilidade de usar tal força foi presenciada, segundo ela, pelo ajudante de ordens do coronel, e ficou registrado em audiência no STF.
As declarações de Mariana reabrem um debate sobre a conduta de Cappelli, que possui pretensões políticas e é visto por adversários como ligado ao ex-ministro Flávio Dino. Em um contexto mais amplo, Mariana enfatizou que “eu consigo dormir em paz todos os dias… muitas pessoas estão soltas, estão livres, mas estão aprisionadas pela mente”. Esse contexto destaca as tensões e o estado de espírito de quem estava na linha de frente das decisões de segurança durante os tumultos de janeiro.
Naime enfrenta atualmente processos no STF por suposta omissão durante os eventos. A intervenção de Cappelli foi marcada por tensão com a cúpula da PMDF, mas não há registros oficiais que confirmem ordens de uso de força letal contra civis. Diana menciona que a acusação apresentada por Mariana exige esclarecimento formal das autoridades, dada a ausência de documentação que comprove a ordem alegada.






