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Michelle Bolsonaro deixa comando do PL Mulher após ampliar filiações e presença feminina no partido

Por Alex Blau Blau

Gestão da ex-primeira dama foi marcada pelo crescimento da participação feminina na legenda, mas terminou em meio a divergências internas que expuseram nova crise no Partido Liberal

A saída de Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher encerra um período de crescimento da participação feminina no Partido Liberal. Durante pouco mais de três anos à frente da ala feminina da legenda, a ex primeira dama liderou uma estratégia de fortalecimento das mulheres na política, ampliando o número de filiadas, incentivando candidaturas e consolidando diretórios em todo o país.

Levantamentos internos do partido apontam que mais de 72 mil mulheres ingressaram no PL entre março de 2023 e maio de 2026, período em que Michelle comandou o movimento. Ao final de 2025, a legenda contabilizava cerca de 397 mil filiadas e dirigentes estimam que esse número já esteja próximo de 100 mil em 2026.

Os reflexos também apareceram nas eleições municipais de 2024. O Partido Liberal elegeu inicialmente 1.005 mulheres e, após a conclusão do processo eleitoral, 995 permaneceram nos cargos, sendo 849 vereadoras, 85 vice prefeitas e 61 prefeitas. Em comparação com o pleito de 2020, quando o partido havia eleito 693 mulheres, o crescimento foi de aproximadamente 44%.

Entre os destaques da eleição municipal está a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, que passou a integrar o grupo das poucas mulheres eleitas para administrar capitais brasileiras naquele pleito.

Nos bastidores da legenda, dirigentes atribuem parte desse resultado ao trabalho desenvolvido por Michelle Bolsonaro, que percorreu estados e municípios incentivando novas lideranças femininas e estruturando o PL Mulher nas 26 unidades da Federação e no Distrito Federal.

Apesar dos resultados apresentados pela direção partidária, Michelle deixou oficialmente o comando do PL Mulher na última terça feira, após conversar com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto. Segundo integrantes da legenda, o dirigente decidiu extinguir o cargo de presidente nacional do braço feminino sob o argumento de que seria difícil encontrar uma sucessora com o mesmo perfil político da ex primeira dama.

A saída acontece em meio ao desgaste público entre Michelle e o senador Flávio Bolsonaro, pré candidato do PL à Presidência da República. Nos últimos dias, a ex primeira dama afirmou ter sido desrespeitada e criticou a condução de decisões internas relacionadas à estratégia eleitoral do partido no Ceará.

Aliados avaliam que Michelle construiu uma base política própria junto ao eleitorado feminino e ao segmento evangélico, tornando se uma das principais lideranças conservadoras do país. Antes da definição da pré candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto, ela chegou a ser cogitada para disputar a Presidência da República e também era considerada um dos principais nomes do partido para concorrer ao Senado pelo Distrito Federal.

A crise interna preocupa integrantes do Partido Liberal, que defendem a preservação da unidade do grupo político para as eleições de 2026. Enquanto parte da direção entende que os desentendimentos ainda não produziram reflexos eleitorais significativos, outra ala avalia que a permanência do conflito pode dificultar a aproximação do partido com o eleitorado feminino.

Mesmo diante das divergências, Flávio Bolsonaro reconheceu publicamente a atuação de Michelle Bolsonaro na expansão da participação das mulheres na legenda e afirmou, durante encontro com lideranças femininas, que o trabalho desenvolvido por ela contribuiu para estimular um maior envolvimento feminino na política brasileira.