Da redação
O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou nesta terça-feira (21) que enviará ao Congresso uma proposta de reforma eleitoral. O comunicado foi feito pelo próprio Milei em seu perfil no X (antigo Twitter), com letras maiúsculas: “AMANHÃ ENVIAREMOS A REFORMA ELEITORAL AO CONGRESSO”.
Segundo Milei, o projeto eliminará as Paso — eleições primárias adotadas em 2011 —, mudará o financiamento das campanhas eleitorais e instituirá uma regra semelhante à Ficha Limpa do Brasil, impedindo que condenados por corrupção em segunda instância concorram a cargos públicos. “Chega de obrigar os argentinos a pagar pelas eleições internas da elite”, escreveu o presidente. Sobre o financiamento, afirmou: “Acabou a política que vive do seu dinheiro”.
A reforma estava sendo negociada há semanas no Congresso, com discussões sobre tornar as Paso optativas e adiar mudanças no financiamento partidário. Entretanto, nenhuma dessas alterações permaneceu no texto final encaminhado por Milei.
Desde o fim de 2025, o partido A Liberdade Avança, do presidente, tornou-se uma das maiores forças políticas do país, com quase 40% das cadeiras na Câmara e 21 dos 72 senadores. Essa base tem sido decisiva para aprovar pautas como a reforma trabalhista, que permite jornadas de até 12 horas, e a redução da maioridade penal de 16 para 14 anos. Contudo, o fim das Paso enfrenta resistência, pois o mecanismo ajuda a definir candidatos únicos dentro dos partidos e evitar a fragmentação dos votos da oposição.
O anúncio ocorre em meio à queda de popularidade de Milei. Pesquisa AtlasIntel divulgada no mês passado aponta que 57,4% da população desaprova seu governo, ante 30,3% de aprovação. O presidente também é atingido por escândalos, como a suspeita de envolvimento no caso do criptoativo $Libra e uma investigação sobre suposto enriquecimento ilícito de seu chefe de gabinete, Manuel Adorni.






