Da redação
Minas Gerais atingiu um recorde histórico de processos judiciais relacionados ao racismo, passando de 67 casos em 2020 para 852 em 2025, segundo o Conselho Nacional de Justiça. O aumento nas ações ocorre paralelamente a episódios recentes de repercussão nacional e internacional, incluindo a prisão de um turista argentino em maio de 2025 no estado.
Entre os casos que ganharam destaque está o de um argentino de 63 anos, preso por fotografar e filmar um menino negro de 7 anos durante passeio de Maria Fumaça em São João del-Rei e enviar mensagens afirmando que poderia “levá-lo como escravo” para a Argentina. A mãe da criança relatou que o menino ficou “quieto, cabisbaixo e triste” após o episódio.
Outro incidente amplamente divulgado ocorreu em Mariana, onde turistas simularam tortura em frente ao pelourinho da Praça Minas Gerais, monumento utilizado para punições públicas no período colonial. No vídeo, uma mulher aparece presa às argolas de ferro e grita “me bate”, enquanto outras pessoas fazem comentários ligados à escravidão. Após a repercussão, a prefeitura informou estar avaliando medidas educativas.
No âmbito trabalhista, o Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais manteve recentemente a condenação de um supermercado em Araguari devido a comentários racistas de uma gerente sobre o cabelo de uma funcionária. A Justiça reconheceu o dano moral e fixou indenização em R$ 5 mil, após confirmação dos relatos por testemunhas.
O Atlas da Violência 2026 mostra que, entre 2014 e 2024, os homicídios de pessoas negras em Minas caíram 39,4%. No entanto, 77% dos homicídios registrados no Brasil em 2024 vitimaram negros. Em Minas Gerais, apesar da redução da letalidade, a desigualdade racial permanece evidente nos dados.
Segundo o CNJ, Minas registrou 587 processos por racismo em 2024, alta de 110% em relação ao ano anterior. As mulheres representam 56,6% das vítimas em processos judiciais no estado, e atualmente há 1.609 ações pendentes, sendo 1.412 em tramitação no Judiciário.




