Da redação
O Ministério Público de São Paulo denunciou quatro policiais militares por suposta integração em organização criminosa voltada a prestar segurança privada a dirigentes, familiares e garagens da empresa de ônibus Transwolff. A Promotoria apresentou a denúncia à Justiça Militar, além de solicitar a prisão preventiva do tenente-coronel José Henrique Martins Flores, acusado de administrar empresas para formalizar serviços de segurança e viabilizar pagamentos.
Os outros denunciados, capitão Alexandre Paulino Vieira, sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário e sargento reformado Nereu Aparecido Alves, estão presos preventivamente desde 4 de fevereiro, após a Operação Kratos. A Promotoria pediu a manutenção das prisões. Flores é acusado ainda de exercer comércio por oficial, previsto no Código Penal Militar, permanecendo na ativa. As defesas de Paulino e Nereu negam envolvimento com organização criminosa e afirmam que a prestação de serviços se deu por empresas legalmente constituídas. As defesas dos demais não se manifestaram.
De acordo com a denúncia, o tenente-coronel Flores forneceu estrutura empresarial e administrativa, inclusive por meio do Grupo AM3, cujas empresas estavam registradas em nome de familiares, residentes em Fernandópolis. Em depoimento, a mãe de Flores confirmou que ele administrava de fato a AM3. O capitão Paulino é citado como responsável por contratar policiais e organizar escalas. Segundo a Promotoria, mensagens atribuídas a Paulino revelam diálogo com empresários e instruções para reforço em garagens. A denúncia não indica participação de Milton Leite (União Brasil), então presidente da Câmara Municipal.
O sargento Romano é acusado de atuar em escolta, segurança das garagens e recrutamento de policiais, além de consultar nomes ligados à Transwolff e ao Primeiro Comando da Capital em sistemas policiais. Nereu, além de segurança e motorista, foi denunciado por lavagem de capitais, após a Corregedoria encontrar R$ 1,18 milhão em espécie em sua residência. Ele afirmou que o dinheiro pertencia ao empresário Ricardo Barnabé, que apresentou documentos sobre a origem dos recursos. A Promotoria também pediu o arquivamento do inquérito sobre outros policiais sem indícios de envolvimento estável. A Transwolff e seus representantes negam vínculos com organizações criminosas.



