Da redação
O Ministério da Educação lançou uma biblioteca digital gratuita e busca tornar o celular uma ferramenta de acesso à leitura para estudantes brasileiros. Segundo o ministro da Educação, Leonardo Barchini, “O celular hoje é mais democrático do que uma biblioteca”. O catálogo do MEC Livros conta com cerca de 25 mil obras e, conforme o ministério, já atingiu 1 milhão de usuários. O orçamento do projeto, inicialmente previsto em R$ 5 milhões, deverá ser dobrado para atender ao crescimento da demanda.
O lançamento da plataforma digital ocorre enquanto sistemas educacionais de outros países reduzem o uso de tecnologia e voltam a enfatizar livros físicos e escrita à mão, devido a evidências de que o abuso dos meios digitais pode prejudicar a aprendizagem. Barchini afirma não ver contradição e diz que a ideia é redirecionar o interesse dos jovens para conteúdos literários, ao invés das redes sociais: “A gente quer tirar o jovem da tela em que ele fica rolando o algoritmo das redes sociais para uma tela do bem, com conteúdo”.
Apesar do avanço digital, o MEC enfrenta questionamentos em outras áreas. Um estudo realizado pelos economistas Ricardo Paes de Barros e Laura Müller Machado, do Insper, identificou queda no desempenho das escolas públicas de ensino médio em tempo integral no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Segundo Barchini, o movimento de expansão do tempo integral para regiões periféricas implica temporariamente em perda de proficiência, pois requer adaptações na estrutura e corpo docente.
O Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) enfrenta atualmente restrições orçamentárias, impactando a aquisição prevista de exemplares. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação fez a compra de livros apenas para algumas disciplinas e etapas. Empresas responsáveis pela impressão de obras em braile relatam novos atrasos em pagamentos. Conforme Barchini, a previsão para o próximo ano é não registrar atrasos nos livros didáticos, mas o ministro prevê tensões nas negociações com editoras.





