Da redação
O chefe do gabinete ministerial argentino, Manuel Adorni, admitiu nesta quinta-feira (11) ter ocultado 500 mil dólares (R$ 2,58 milhões) em sua declaração de bens, fato que gerou críticas de figuras da oposição e do próprio governo de Javier Milei, em Buenos Aires.
Adorni enfrenta há mais de três meses apurações sobre compra de imóveis e viagens onerosas desde que assumiu o cargo público, em novembro, temas já alvo de investigação judicial. A recente confissão agrava a pressão sobre o ministro, cuja trajetória no governo começou em 2023 como porta-voz presidencial.
Na noite de quarta-feira, Adorni entregou uma nova declaração às autoridades, incluindo os 500 mil dólares que antes não constavam dos registros oficiais. Segundo relatou, a quantia teria sido acumulada entre 2014 e 2018, advinda de atividades privadas e investimentos em criptomoedas. “É claro que cometi um erro. Vou pagar até o último imposto que me couber pagar, até a última multa, todos os juros, tudo o que decorrer desse erro”, declarou.
A omissão gerou reações duras dentro da base governista. Para a senadora Patricia Bullrich, ex-ministra de Milei, “isso é mais do que um erro, isso é uma omissão ética”. O partido PRO, aliado ao governo, considerou tratar-se de uma “falta grave” e afirmou que “um funcionário não pode dizer aos argentinos e ao Congresso Nacional que não ocultou nada, e depois admitir que sim, ocultou”.
Bancadas opositoras, entre elas o peronismo, convocaram para 23 de junho uma sessão especial para discutir possível moção de censura contra Adorni. Analistas políticos avaliam que o caso representa “um bumerangue para o governo”, atingindo o discurso oficial de transparência e condenação à chamada “casta” política.
A polêmica em torno de Adorni teve início em março, após divulgação de viagens oficiais e de férias em jato privado, além de reportagens sobre imóveis supostamente não declarados. Apesar das investigações e pedidos de depoimento, até o momento o ministro não foi formalmente interrogado.





