Da redação
A arquitetura do voo lunar Artemis 2 foi definida em 2011 pela Nasa, baseada em tecnologias herdadas do antigo programa Constellation, iniciado em 2005 no governo George W. Bush após o acidente com o ônibus espacial Columbia. O Constellation previa dois foguetes (Ares 1 e Ares 5), a cápsula Orion e o módulo lunar Altair, em um pacote chamado de “Apollo com esteroides”, mas acabou cancelado por Barack Obama, que considerou o projeto insustentável e optou por parcerias comerciais, focando em Marte.
O término dos ônibus espaciais e a ameaça à manutenção de empregos qualificados motivaram o Congresso, em 2011, a resgatar partes do projeto: o Ares 5 virou o SLS, e a Orion sobreviveu graças a uma colaboração com a Agência Espacial Europeia (ESA). Sem clareza de objetivos, a Nasa inicialmente planejou uma missão a um asteroide, mas a verdadeira redefinição só veio em 2017, na gestão Trump, com o lançamento do programa Artemis e o retorno do foco à Lua.
Com a Boeing como contratada principal do SLS, o foguete só ficou pronto para voo em 2022, após US$ 30 bilhões investidos e custo de US$ 2,5 bilhões por lançamento. Apesar de se tornar o foguete mais poderoso em operação ao ser lançado pela primeira vez em 16 de novembro de 2022, enfrenta críticas por sua tecnologia obsoleta, alto custo e baixíssima frequência de voos, agravada por atrasos e problemas técnicos recorrentes, inclusive no ensaio molhado para a Artemis 2, agora prevista para março.
Enquanto isso, novos foguetes privados, como o Starship da SpaceX e o New Glenn da Blue Origin, apresentam alternativas mais eficientes. A tendência é que o SLS possa ser superado em futuras missões lunares, possivelmente já a partir da Artemis 3.
A cápsula Orion, contratada à Lockheed Martin, projeta futuro mais flexível por ser parcialmente reutilizável e compatível com outros foguetes. Após um problema no escudo térmico na Artemis 1, a Nasa afirmou estar confiante para o próximo voo tripulado, com melhorias futuras planejadas. Contudo, dificuldades técnicas e atrasos no módulo lunar Starship, nos trajes espaciais e no próprio SLS tornam improvável um pouso lunar americano antes de 2029, enquanto a China promete realizar sua missão até 2030.





