Da redação
A Missão de Apuração dos Fatos das Nações Unidas sobre a Venezuela afirmou que o aparato repressivo do país permanece ativo, mesmo após a queda do presidente Nicolás Maduro no início de janeiro. Segundo relatores, apesar de melhorias limitadas, instituições estatais responsáveis por violações graves de direitos humanos e crimes contra a humanidade continuam operando.
O relatório, compilado para o Conselho de Direitos Humanos, analisou acontecimentos de 2025 e apontou abusos cometidos por facções armadas civis pró-governo, conhecidas como “colectivos”, com vínculos com o Estado. Os especialistas observaram redução nas detenções de longa duração e nos desaparecimentos forçados, além da libertação de centenas de pessoas detidas por motivos políticos, o que ampliou a possibilidade de protestos e participação da sociedade civil.
No entanto, de acordo com a Missão, essas mudanças não foram acompanhadas por reformas institucionais para garantir avanços duradouros em direitos humanos. Leis usadas para criminalizar a dissidência permanecem em vigor, e os “colectivos” seguem armados atuando em comunidades. Pelo menos 19 autoridades anteriormente identificadas por envolvimento em violações graves seguem em cargos-chave, enquanto persiste a impunidade por crimes passados.
Entre 1º de setembro de 2025 e 29 de julho de 2026, organizações da sociedade civil registraram ao menos 214 detenções arbitrárias por motivos políticos, com a maioria ocorrendo antes do fim de 2025. A presidente da Missão, Sofía Macher, declarou que “mudanças reais e significativas” são necessárias para garantir direitos humanos efetivos no país.





