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Missão internacional denuncia racismo estrutural e violência contra negros na Colômbia

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Da redação

O Mecanismo Internacional de Especialistas Independentes divulgou nesta terça-feira, em Bogotá, resultados preliminares de sua visita à Colômbia entre os dias 20 e 31 de maio. O relatório aponta a persistência do racismo estrutural e sistêmico no país, especialmente contra comunidades negras, o que motivou a análise em cidades como Bogotá, Cartagena e Cali.

Durante 11 dias, a missão percorreu regiões urbanas e afastadas, observando práticas das forças de segurança e condições de vida dos afrodescendentes. Os especialistas elogiaram iniciativas como a revisão das normas de uso da força policial em protestos, treinamentos sobre direitos humanos e a criação do Ministério da Igualdade e Equidade.

Apesar dos avanços, os integrantes destacaram que as medidas ainda são insuficientes para enfrentar a discriminação. Para o perito Víctor Rodríguez, o problema está entranhado nas estruturas do Estado e frequentemente se perpetua de forma inconsciente. Jovens negros foram identificados como os principais impactados por abordagens policiais e violência de grupos armados.

A missão também recebeu relatos de revistas excessivas motivadas por estereótipos raciais, além de denúncias sobre condições extremas nos centros de detenção. Em Cartagena, autoridades informaram superlotação, falta de ventilação, água, alimentos adequados e atendimento médico no Centro de Detenção Provisória Bellavista.

Nas unidades para detenções de curto prazo, as equipes encontraram pessoas presas há meses ou anos, contrariando a legislação. Víctor Rodríguez declarou não ter presenciado antes situações de tamanha precariedade durante suas inspeções. O grupo ressaltou que comunidades afrodescendentes em áreas sob domínio de grupos armados enfrentam assassinatos, sequestros e violência sexual.

Como encaminhamento, os especialistas recomendaram reformas estruturais na Polícia Nacional da Colômbia e outras ações para melhorar a situação. O relatório final com as recomendações detalhadas será apresentado durante a 63ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Os especialistas atuam de maneira independente e não recebem salário pelo trabalho.