Da redação
Pacientes, familiares e profissionais do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD III) de Ceilândia realizaram uma mobilização nesta quarta-feira, 24, para denunciar a falta de profissionais, a precariedade da estrutura e reivindicar melhorias junto à Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF).
Manifestantes relataram que a unidade enfrenta aumento expressivo da demanda, sem o devido reforço nas equipes. Segundo carta divulgada durante o ato, o Caps AD III atende cerca de 400 mil moradores de Ceilândia, Sol Nascente e Pôr do Sol em acolhimento para pessoas com problemas relacionados ao uso de álcool ou outras drogas.
O documento afirma que o número de atendimentos cresceu de 5.256 entre janeiro e abril de 2024 para 9.837 no mesmo período de 2026, um crescimento aproximado de 87%. No entanto, conforme a carta, não houve ampliação das equipes, agravando o déficit em diversas áreas, como psiquiatria, clínica médica, psicologia e assistência social.
Atualmente, apenas duas médicas psiquiatras atuam no serviço, cada uma com carga horária de 20 horas semanais. Uma das profissionais está em licença médica, reduzindo temporariamente o atendimento pela metade. Manifestantes pedem aumento da carga horária das médicas e realização de concurso público para novos especialistas.
Os trabalhadores relatam impactos imediatos, como demora para consultas médicas e agenda ocupada até outubro. Familiares de pacientes avaliam que as condições dificultam o acesso ao tratamento. “Precisamos de mais profissionais para acolhimento e de mais oficinas terapêuticas”, disse Claudete Santos, irmã de usuário da unidade.
A carta aberta ainda denuncia limitações estruturais, como equipamentos de informática defasados, dificultando o registro de informações e a interação entre serviços. Os manifestantes também exigem investimentos na infraestrutura, reforço das equipes, criação de novos Caps e fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial na região.





