Da redação
A Polícia Civil de Pernambuco afirmou que não há registros oficiais de uma “missão de inteligência” que teria monitorado a gestão do prefeito do Recife, João Campos (PSB). Segundo resposta enviada à OAB-PE, a corporação declarou que a ação não foi vinculada a investigações formais, não gerou autos oficiais nem seguiu os trâmites legais necessários para a abertura de inquérito policial.
O caso envolve relatos do secretário de Articulação Política e Social do Recife, Gustavo Queiroz Monteiro, que afirmou ter sido seguido por policiais civis entre agosto e outubro de 2025, inclusive com o uso de rastreador em seu veículo, sem autorização judicial. A OAB-PE cobrou esclarecimentos da Polícia Civil após Gustavo e seu irmão relatarem o monitoramento, mas, diante da falta de resposta detalhada, encaminhou nova solicitação formal no dia 4 de fevereiro.
O advogado Rafael Carneiro, que representa João Campos, classificou o episódio como “monitoramento clandestino, totalmente fora da lei” e afirmou que existem indícios de abuso de autoridade e improbidade administrativa. Ele defende a apuração dos motivos e da ordem para os atos ilegais.
Em 30 de janeiro, o ministro do STF Gilmar Mendes determinou que a Polícia Federal investigue o suposto monitoramento e criticou práticas do Gaeco, do Ministério Público de Pernambuco, como “pescaria probatória”. O ministro entendeu que o órgão teria solicitado informações genéricas sobre secretários municipais, sem fundamentação adequada e motivação clara, configurando instrumento de pressão política em ano eleitoral.
O Ministério Público de Pernambuco negou irregularidades e ressaltou que não houve alteração dos fatos ou notificação de decisão judicial. A prefeitura do Recife considerou a espionagem um ato inconstitucional. A Polícia Civil e o governo estadual disseram que não há comprovação de uso eleitoral da investigação nem desvio de finalidade.





