Da redação
Moradores do Brooklin Paulista, na zona sul de São Paulo, protestam contra a construção do prédio Quintessence Campo Belo, de 32 andares, na rua Gil Eanes, aprovado após a revisão da Lei de Zoneamento em 2024. Os manifestantes contestam o corte de árvores feito pela construtora AW Realty, apontando ausência de registro de espécies de aves nativas no relatório ambiental apresentado pela empresa.
A designer Talita Araújo de Carvalho, integrante do movimento “30 andares, não”, afirmou que moradores registraram a presença de um casal de pica-paus no terreno, mas o laudo da incorporadora não mencionou esses animais. O início do manejo das árvores coincidiu com o andamento de julgamento sobre o zoneamento no Tribunal de Justiça de São Paulo, segundo avaliações do movimento de oposição ao empreendimento.
A AW Realty declarou que todas as licenças e alvarás necessários foram obtidos e que cumpre as normas definidas no Termo de Ajustamento de Conduta firmado em 27 de maio, que prevê a compensação pela remoção de 17 árvores com o plantio de 607 novas, sendo 24 delas no próprio terreno. A construtora afirma ser alvo de críticas injustas e acusou vizinhos de praticarem o chamado “not in my backyard”, além de lembrar que outras edificações locais também resultaram na derrubada de árvores.
De acordo com a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento, o primeiro alvará para a obra foi concedido em outubro do ano passado, antes do início do processo, e o segundo, em agosto, já com liminar suspensa pelo Supremo Tribunal Federal. O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo declarou inconstitucional parte das mudanças da lei, mas manteve válidos os alvarás e obras concedidos até a decisão desta quarta-feira (26).



