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MP-SP aponta uso de esquema de troca de dinheiro por condenado do PCC na Grande SP


Da redação

Eduardo Moreno Lopes é acusado pelo Ministério Público de São Paulo de coordenar um esquema no qual empresários recebiam grandes quantias em dinheiro em espécie e, em troca, realizavam transferências bancárias para empresas ligadas a Ygor Daniel Zago, conhecido como Hulk, condenado por tráfico internacional de drogas e suspeito de participação no Primeiro Comando da Capital. Segundo denúncia protocolada pelo órgão, o esquema operava com a intermediação do dono de uma loja de carros de luxo, Manoel Sérgio Sanches, atualmente preso e réu por organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A denúncia afirma que Lopes realizou transferências bancárias que totalizam R$ 900 mil para contas de duas empresas indicadas por Zago, operação registrada em conversas extraídas de celulares apreendidos. O material aponta que ordens e confirmações de pagamentos circulavam rapidamente entre Zago, Sanches e Lopes, com detalhamento dos valores e comprovantes. As empresas beneficiadas já haviam sido citadas em investigações da Polícia Federal.

De acordo com a investigação, as transações eram consideradas um “serviço clandestino” chamado por envolvidos de “compra de dinheiro” e as comissões cobradas sobre as operações variavam de 1,5% a 4%. A apuração do Ministério Público indica que a origem dos valores seria o tráfico de drogas e jogos de azar na região metropolitana de São Paulo, além de outros crimes. O escritório TFV Advogados, responsável pela defesa de Lopes, afirma que ele “refuta completamente as acusações” e que a denúncia se baseia em investigação parcial, além de não ter sido ouvido formalmente. Lopes tem prisão decretada e é considerado foragido.

A defesa de Zago, representada por Isaac Minichillo de Araújo, declara que ele nunca integrou organização criminosa e que qualquer relação financeira com Sanches seria apenas de compra e venda de carros. Zago foi condenado a 29 anos de prisão após a Operação Hulk, que apreendeu 3,7 toneladas de cocaína no Porto de Santos, mas atualmente responde em liberdade. Sanches não se manifestou até o momento.