Da redação
Mulheres representam 54% dos migrantes na Europa e Ásia Central, segundo relatório da ONU Mulheres. O estudo destaca que mais de 13 milhões de mulheres nascidas nessas regiões vivem no exterior, enquanto 9,5 milhões de migrantes de outras partes do mundo residem localmente, impulsionadas por busca de educação, trabalho e segurança. A diretora regional da ONU Mulheres, Belén Sanz Luque, afirma que “a migração não é neutra em relação ao gênero”, ressaltando o papel das mulheres como estudantes, trabalhadoras, cuidadoras e líderes comunitárias.
Entre 2022 e 2024, as mulheres responderam por 61% dos migrantes oriundos da Moldávia e 56% dos vindos da Ucrânia para a União Europeia, com destinos principais na Alemanha, Itália, República Tcheca, Espanha e Portugal. Motivações incluem avanço educacional e profissional, porém são frequentes as dificuldades para obter empregos compatíveis com suas qualificações. Em Kosovo, 55% das migrantes estão superqualificadas para suas funções; índices similares ocorrem na Albânia e Macedônia do Norte.
A presença feminina é expressiva em setores como trabalho doméstico, cuidados de longa duração, hotelaria e comércio, especialmente entre migrantes do Quirguistão e Tadjiquistão, conforme o relatório. Essas atividades, altamente informais, expõem mulheres a condições precárias, riscos de exploração e violência de gênero. Na Turquia, ainda que sejam parte significativa da população migrante, apenas 27,2% têm autorização de trabalho concedida.
O tráfico humano é outra preocupação apontada pelo relatório. Em Kosovo, mulheres e meninas somam 93% das vítimas identificadas, enquanto na Turquia o percentual é de 82%, sendo a maior parte dos casos para exploração sexual. ONU Mulheres recomenda fortalecer indicadores migratórios detalhados, padronizar dados e ampliar o acesso a direitos, bem como eliminar entraves administrativos e combater desigualdades estruturais na região.





