Por Alex Blau Blau
Sessões no Tribunal do Júri de Taguatinga seguem até junho e devem ouvir dezenas de testemunhas no processo que apura mortes e tentativas de homicídio dentro da unidade hospitalar
A audiência de instrução que investiga a atuação de três técnicos de enfermagem acusados de provocar mortes de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Anchieta teve continuidade nesta sexta feira no Tribunal do Júri de Taguatinga. O processo entra agora em uma nova etapa de depoimentos com previsão de ouvir mais 24 testemunhas ao longo dos próximos dias.
As sessões fazem parte da fase de produção de provas do processo criminal e não representam ainda o julgamento definitivo dos acusados. A Justiça definiu novas datas para a continuidade das oitivas após o primeiro cronograma ser ampliado diante da quantidade de pessoas envolvidas no caso.
Nesta sexta feira foram ouvidas parte das testemunhas relacionadas ao processo. Outras audiências também estão previstas para os dias 1º e 8 de junho. Ao final da instrução deverão prestar depoimento os três técnicos investigados pelas mortes ocorridas na unidade hospitalar.
O primeiro dia de audiência terminou durante a madrugada após horas de depoimentos de testemunhas apresentadas tanto pela acusação quanto pelas defesas. Com o novo calendário, a fase de instrução deverá ser concluída apenas na segunda semana de junho.
O processo tramita sob segredo de Justiça e, por esse motivo, o acesso às sessões permanece restrito às partes envolvidas, advogados e representantes autorizados.
Os técnicos Amanda Rodrigues Sousa, Marcos Vinicius Silva e Marcela Camilly respondem por três homicídios e cinco tentativas de homicídio ocorridas entre novembro e dezembro do ano passado. Segundo as investigações, pacientes internados na UTI teriam recebido doses elevadas de medicamentos, provocando paradas cardíacas e agravamento do quadro clínico.
Entre as vítimas apontadas no processo estão Marcos Moreira, João Clemente Pereira e Miranilde Pereira da Silva. O inquérito policial também apura outras tentativas de homicídio relacionadas ao mesmo período.
As investigações começaram após o próprio hospital identificar semelhanças entre os óbitos e comunicar as autoridades policiais. A partir disso, a Polícia Civil iniciou uma operação que resultou na prisão temporária dos investigados e no cumprimento de mandados de busca e apreensão.
De acordo com os investigadores, um dos técnicos seria responsável pela aplicação das substâncias enquanto os outros dois dariam suporte às ações. O caso ganhou repercussão após a divulgação de imagens que mostrariam a manipulação irregular de medicamentos dentro da unidade hospitalar.
Familiares de algumas vítimas decidiram não acompanhar presencialmente as audiências por questões emocionais, mas seguem representados juridicamente durante o andamento do processo.





