O comercial do elefante

elefantePeça foi produzida pelo Comitê Nacional do Partido Democrata, nas eleições de 1982.

O comercial para a TV é uma peça visual. Nunca é demais recordar que tudo que se faz precisa possuir qualidade visual. Os demais elementos: letterings, trilha sonora, fala; devem ser encarados como complementos de uma peça visual.

Costuma-se dizer que uma boa foto vale mais do que milhares de discursos

O visual é absorvido pelo cérebro de forma instantânea e lá depositado, contrariamente aos outros estímulos que passam pelo crivo da razão. Por isso costuma-se dizer que uma boa foto, uma boa imagem, vale mais que cem discursos.

Entretanto, a primazia do visual não deve levar aos exageros do preciosismo, do visual pelo visual. Ao contrário, o visual sem os complementos é como uma energia sem propósito, à qual quem o assiste fica livre para impor o significado que bem entender.

O comercial é pois, uma peça inteira, letreiros,fala, trilha devem dar um significado político ao impacto emocional provocado pelo visual.

Um visual banal gera um comercial banal, por melhor que sejam seus complementos. No outro extremo, um visual exagerado, impactante mas de difícil harmonização com os seus complementos, também não terá sucesso.

Ao conceber um comercial então, a primeira preocupação deve ser a de procurar ou criar o visual certo, forte, emotivo e relacionável com o conteúdo político que se quer dar.

Na busca pelo visual não convencional, pela imagem que capture o interesse e a atenção do espectador, muitas vezes recorre-se a procedimentos característicos de filmes. Externas, com figurantes, cenários construídos em detalhe no estúdio, seleção de atores profissionais, e cuidados técnicos de som e iluminação que habitualmente somente se vê em filmes.

O fundamental é assegurar que o espectador não consiga ficar indiferente ao estímulo visual. Que este o capture, e faça-o assistir a peça por inteiro, e que ela tenha o poder de ficar guardada na memória de quem a viu, podendo ser relembrada a qualquer momento, uma vez acionado o estímulo certo.

Pode-se dizer que o comercial de sucesso é equivalente à implantação de um “chip” de computador no eleitor. Ele fica dentro do eleitor dormente, até que seja acionado. Uma vez acionado, ele traz à lembrança a mensagem e as imagens que continha.

A grande preocupação dos publicitários, portanto, é criar um comercial não convencional. São estes os que possuem poder de permanência. Para os convencionais já temos defesas. Já vimos muitos, são todos assemelhados, e embora possam deter nossa atenção no primeiro momento não perduram, porque confundem-se com tantos outros já vistos. O comercial que vai ilustrar esta coluna buscou uma forma não convencional para fixar a sua mensagem. Ele foi produzido pelo Comitê Nacional do Partido Democrata, nas eleições de 1982, em favor dos candidatos democratas em todos os estados. Salvo engano, um modelo muito assemelhado a ele foi usado no Brasil. Trata-se do comercial do elefante numa loja de louças.

O comercial do elefante articulou uma imagem não convencional a um texto com mensagem clara

Basta esta menção para que qualquer pessoa já faça a sua imagem mental da cena. Foi usado pelo Partido Democrata para caracterizar o seu rival, o Partido Republicano que, nos EUA, tem como símbolo o elefante. Foi portanto um comercial que articulou imagem não convencional, conteúdo relacionável a ela, e texto claro na transmissão da mensagem desejada.

O comercial

O comercial abre com a câmera mostrando, por uma janela, uma loja de louças.

Aparece então o locutor que diz a seguinte fala:

“Há dois anos, nós entregamos aos republicanos a nossa loja em Washington, para que eles tomassem conta dela. Eles nos prometeram que trariam prosperidade e respeito, a herança americana de justiça e equidade.”

A câmera volta a focar a loja onde agora se vê um elefante andando por entre os corredores, destruindo prateleiras e as louças que continham. A câmera continua acompanhando o elefante, que nas suas andanças destrói a loja por completo, enquanto o locutor fala:

“Em vez disso, eles estão destruindo e esmagando as esperanças dos cidadãos mais velhos, dos trabalhadores, dos pequenos empresários, dos fazendeiros, e os sonhos de uma geração de americanos. Os republicanos desarrumaram tudo que estava funcionando bem. Agora eles querem jogar o peso deles (throw their weight óbvia menção ao peso do elefante) no nosso estado. Só há uma coisa que está entre eles e nós: o Partido Democrata, os democratas defendem a justiça”

Antes do locutor falar o último parágrafo sobre o Partido Democrata, aparece no vídeo a frase:

“Vote nos candidatos do partido democrata no seu estado”

Fonte: Política para Políticos

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Consultor em Marketing Político; especialista em pesquisa de opinião pública; editor do Portal Conectado ao Poder; escreve a coluna On´s e Off´s, de segunda a sexta, no Jornal Alô Brasília; apresenta o programa Conectado ao Poder, aos sábados, das 6h às 8h, na Rádio 104,1 Metrópoles FM. É presidente da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

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