Da redação
No dia 1º de fevereiro de 1987, 593 constituintes tomaram posse no Congresso Nacional para redigir a oitava Constituição da República, marcando o fim de 21 anos de regime autoritário. Entre eles estavam, pela primeira vez na história, 11 representantes eleitos pelo Distrito Federal. A ocasião foi marcada por grande mobilização popular e forte presença de lideranças políticas, como Ulysses Guimarães, Delfim Netto e Lula.
O início dos trabalhos contou com a criação de nove comissões temáticas e 24 subcomissões, responsáveis por organizar o andamento da Constituinte e discutir os direitos e deveres dos parlamentares. Entre os debates de maior destaque esteve a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), implementado em 1991, resultado direto da intensa participação da sociedade civil, que se manifestava por diferentes pautas, incluindo movimentos negro, feminista e de trabalhadores.
A bancada do Distrito Federal era formada por cinco partidos, mas se unia em torno da luta pela autonomia política da capital. “A nossa bancada era de muita união. Nós não queríamos saber de partido, todo mundo se dava bem”, afirmou Valmir Campelo (PFL). Augusto Carvalho (PCB) destacou a participação e o esforço diário na busca por votos e articulações dentro do Congresso.
Sigmaringa Seixas (PMDB), representante do DF, foi relator na comissão de sistematização e acompanhou a aprovação, em 28 de outubro de 1987, do capítulo que garantiu autonomia política, legislativa, administrativa e financeira ao Distrito Federal, estabelecendo o cargo de governador e a criação da Câmara Legislativa.
As mulheres também tiveram papel fundamental na Constituinte. Conhecido como “Lobby do Batom”, o grupo formado por 26 deputadas lutou por direitos básicos, como a instalação de um banheiro feminino no plenário. Maria de Lourdes Abadia relembrou a conquista, além de destacar que, até 2026, foi a única mulher a governar o DF.






