Por Sandro Gianelli
Weligton Moraes sobreviveu a quatro governadores sem deixar de ser necessário, sua permanecia no cargo é um recorde brasileiro na comunicação governamental
“Praticamente vi essa cidade nascer.” Weligton Moraes disse isso em 17 de abril, ao receber do Tribunal Regional Eleitoral a Medalha do Mérito Eleitoral, na classe de comendador. A frase soa como discurso de cerimônia, mas é um currículo em uma linha.
Chegou ao DF em 1960, ano da inauguração. Presidiu a Comissão de Desburocratização entre 1979 e 1984. Passou pelos governos de Wanderley Vallim, Joaquim Roriz, José Roberto Arruda e Ibaneis Rocha. Chefiou a comunicação com Roriz, de 2003 a 2006, e com Arruda, de 2007 a 2010. Voltou em 2019 com Ibaneis e ficou nos dois mandatos. Hoje está com Celina Leão.
Quem já trabalhou em assessoria sabe o que isso significa. Secretário de Comunicação costuma ter validade de um governo, e às vezes de um escândalo. O cargo exige que a pessoa seja ao mesmo tempo porta-voz, escudo e termômetro, e quando a temperatura sobe quem sai é ele. Aqui aconteceu o contrário.
Eu poderia dizer que é sorte. Não é.
Em 2005, na presidência do Conselho de Comunicação Institucional do DF, ele assinou a norma com os procedimentos para analisar campanhas da administração indireta. Ou seja: antes de a publicidade oficial virar assunto de CPI, alguém já tinha escrito o regulamento. Depois acompanhou a chegada das plataformas digitais à comunicação pública, enquanto muita gente ainda tratava a internet como anexo do diário oficial.
Chame de método, se quiser. Primeiro, regra escrita. Segundo, adaptação sem alarde. Terceiro, nenhum governo chega a achar que a comunicação é o problema.
O mercado também reparou. Em 2025, o Rotary Club de Brasília O Pioneiro deu a ele a Medalha do Mérito Ernesto Silva. Em março de 2026, Celina Leão entregou a Medalha Mérito Economia. E em outubro, diante de jornalistas da ABBP, a própria governadora fez questão de destacar o trabalho do secretário e o papel dos veículos digitais.
Repare que ninguém elogia assim um chefe de comunicação por simpatia. Elogia-se quem entrega.
Em Brasília, onde a memória política dura o tempo de uma nota de rodapé, ficar em quatro governos de estilos tão diferentes não é detalhe de biografia. É o que sobra quando se tira o discurso e se olha o resultado.
Ele diz que viu a cidade nascer. Pela trajetória, ajudou a contar cada capítulo dela.




