O telefone como mídia I: telemarketing político

Essa é uma mídia que possui muitas vantagens e deve ser usada em uma campanha.

Como não podia deixar de ser, toda a tecnologia desenvolvida pelo telemarketing comercial foi adaptada para o uso em campanhas eleitorais. O telefone foi elevado à condição de “mídia”. Uma mídia que é diferente das demais (o que é óbvio), mas que possui muitas vantagens comparativas.

O telefone permite um contato pessoal de alta intensidade

Em primeiro lugar é uma mídia que permite contato pessoal do candidato com o eleitor (alta intensidade), não tão completo quanto o “corpo a corpo”, mas assim mesmo direto, já que admite as “duas mãos” na comunicação: falar e ouvir.

Em segundo lugar porque se beneficia da segmentação, viabilizando o direcionamento das chamadas diretamente para os eleitores potenciais.

Em terceiro lugar porque, dada a difusão da telefonia, os bancos de dados telefônicos podem alcançar um público de grandes proporções.

Em quarto lugar porque sua operação, desde que tomadas algumas providências básicas, é relativamente simples, se comparada com a produção de outras mídias. O telefone como mídia pode ser operado desde uma central de telemarketing computadorizada, até por voluntários, telefonando de suas próprias residências, dentro de um plano previamente fixado.

Em quinto lugar porque possui uma multifuncionalidade muito grande. Pode ser usado para sondar as intenções de voto do eleitor, para pedir o seu voto, para pedir ajuda financeira, para conquistar voluntários, para informar sobre a campanha, para mobilizar para um ato político, para identificar problemas locais, etc etc

Em sexto lugar pode funcionar também como “telemarketing passivo” (os exemplos de 1 a 5 foram de telemarketing ativo, isto é, a iniciativa do contato parte da campanha). Por telemarketing passivo entenda-se a separação de alguns números de telefone, do tipo 0800, somente para recepção de mensagens e comunicações dos eleitores, com propostas, sugestões, críticas, etc.

Em sétimo lugar porque também pode ser usado como instrumento de enquetes e levantamentos sobre prioridades, problemas, expectativas.

Em oitavo lugar porque, utilizado por pessoas qualificadas, pode também ser usado para pesquisas. E nos países em que o telefone se universalizou por todos os segmentos sociais, pesquisas e sobretudo pesquisas de tracking, são ordinariamente feitas por telefone. Mas, atenção: essa pesquisa, feita por telefone, exigirá cautelas especiais, para evitar a distorção dos resultados. De qualquer forma, para segmentos médios e superiores de renda, já é perfeitamente possível fazer-se pesquisa telefônica com graus de confiabilidade equivalentes às pesquisas convencionais. Em nono lugar o telefone é certamente um dos recursos mais valiosos, ainda que pouco utilizado no Brasil, para o esforço de final de campanha. O uso do telefone para levar pessoas para os eventos e com isto mostrar o volume da campanha e o apoio do candidato é extremamente eficiente.

O telefone é certamente um dos recursos mais valiosos para o esforço de final de campanha

Imagine uma carreata, com trajeto definido. Se a campanha identificar por listas (ou por bancos de dados) os eleitores que moram nas proximidades do trajeto, pode, com antecipação telefonar para estas pessoas convidando-as a assistir à carreata e levar o seu apoio.

O próprio candidato, em mensagem gravada, introduzida por uma atendente de telemarketing bem preparada, pode fazer este apelo. Os resultados desta providência deverão ser muito superiores ao obtido pela mesma carreata, sem a convocação telefônica.

Também se deve usar o telefone em massa nos últimos dez dias para pedir o voto do eleitor. Em eleições majoritárias com eleitorado muito grande, esta providência só é útil quando aplicada de forma segmentada. Mas o uso dela para candidatos a eleições legislativas é de grande eficiência. Uma mensagem gravada, do candidato ou de sua esposa, pode vir a ser a diferença entre votar ou não nele, nestes casos em que muitos eleitores decidem seu voto a caminho da seção eleitoral.

Em décimo lugar porque, como toda a mídia, seu impacto é multiplicativo. A residência para a qual se telefonou abriga não somente o chefe(a) de família, como filhos, parentes, avós, vizinhos que na maioria dos casos ficam sabendo da ligação e para os quais a mensagem do candidato também foi dirigida.

Por todas estas razões e outras mais, o telefone – fixo ou móvel – pode funcionar como uma mídia muito eficiente na campanha eleitoral. Ligações locais não são caras, as que seriam interurbanas, podem ser transformadas em locais usando cabos eleitorais e telefonistas da cidade e há horários e dias em que o custo é mais barato.

Além disso há disponível listas telefônicas e, nas cidades maiores, em empresas de telemarketing, bancos de dados telefônicos, tornando mais fácil a tarefa da comunicação. O uso do telefone como mídia ainda engatinha no Brasil, mas certamente virá a ser uma arma eficiente na campanha municipal.

Fonte: Política para Políticos

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Consultor em Marketing Político; especialista em pesquisa de opinião pública; editor do Portal Conectado ao Poder; escreve a coluna On´s e Off´s, de segunda a sexta, no Jornal Alô Brasília; apresenta o programa Conectado ao Poder, aos sábados, das 6h às 8h, na Rádio 104,1 Metrópoles FM. É presidente da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno.

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